O Brasil pedirá aos Estados Unidos que, assim como a Colômbia, esclareçam o objetivo do plano pelo qual utilizarão sete bases militares em território colombiano, para ajudar a aplacar as dúvidas que o acordo despertou na região, disse nesta sexta-feira o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
O chanceler confirmou que o Brasil entrou em contato com funcionários de alto escalão do governo norte-americano e que existe "uma disposição muito boa" para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dialogue com o presidente dos EUA, Barack Obama, sobre questões regionais.
– Obviamente, para nós as garantias têm de vir não somente da Colômbia, têm de vir também de um modo ou de outro dos Estados Unidos, porque eles terão o pessoal, terão os aviões –, afirmou Amorim a jornalistas na capital peruana, Lima.
– Embora não tenhamos nenhuma razão para suspeitar que (as bases) venham a ser utilizadas de modo diferente, nas relações internacionais é assim que se faz –, acrescentou ele.
O plano de uso de até sete bases pelos EUA causou preocupação na região, principalmente na Venezuela, onde o presidente Hugo Chávez até alertou para a possibilidade de uma guerra na região.
No diálogo, Lula também pediria a Obama uma resposta mais firme dos EUA à crise de Honduras, embora "sem nenhum tipo de intervenção". Há cerca de um mês e meio militares removeram à força o presidente Manuel Zelaya e o levaram para a Costa Rica.
– Os Estados Unidos têm mais poder que qualquer outro país para persuadir os que estão no governo de facto (em Honduras) a aceitar o que o presidente Zelaya já aceitou –, afirmou Amorim.
Até o momento, o governo interino de Roberto Micheletti se negou a aceitar uma proposta que contempla o retorno de Zelaya, removido do poder sob a acusação de violar a Constituição ao tentar realizar uma consulta popular que abriria caminho para sua reeleição.
Amorim visitou Lima para firmar vários acordos bilaterais e conversar sobre a visita do presidente Lula ao Peru, prevista para 11 de dezembro.