Rio de Janeiro, 15 de Outubro de 2026

Brasil pede que Paraguai mantenha brasiguaios em segurança

Quinta, 23 de Outubro de 2008 às 10:45, por: CdB

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou nesta quarta-feira uma nota onde afirma que o governo brasileiro está preocupado com as notícias de que movimentos sociais do Paraguai ameaçaram desencadear “ações violentas” contra a comunidade brasileira no país caso um programa de reforma agrária não tenha início imediato.

“A existência de ameaças e manifestações de animosidade contra comunidades brasileiras têm sido objeto de manifestações de apreensão por parte das autoridades brasileiras. O assunto foi mencionado pelo presidente Lula durante a visita do presidente (Fernando) Lugo a Brasília no dia 17 de setembro passado”, diz o comunicado.

Na última terça-feira, camponeses sem-terra paraguaios deram um prazo de 72 horas para que o governo ordene a expulsão de fazendeiros brasileiros que ocupam terras destinadas à reforma agrária.

A situação de tensão entre fazendeiros brasileiros, os chamados “brasiguaios”, e sem-terra paraguaios fez com que muitos deles pedissem proteção às representações do Brasil no país, alegando que suas terras estão ameaçadas de invasão.

No comunicado, o Itamaraty afirma que as autoridades brasileiras têm confiança de que o governo do Paraguai conduzirá a situação “da melhor forma” e diz que o governo do Brasil ficou satisfeito com as manifestações do presidente Fernando Lugo de que garantirá as “necessárias condições de segurança” aos brasileiros.

– O governo brasileiro reitera sua melhor disposição de cooperar com o governo paraguaio em programas sociais que contribuam, inclusive, para melhorar a situação no campo – diz a nota.

Cerca de 300 mil "brasiguaios" vivem hoje na fronteira comum entre os dois países, 80% deles dedicados à lavoura da soja.

A reforma agrária é uma das principais promessas do presidente paraguaio Fernando Lugo, eleito em abril deste ano e que encerrou uma hegemonia de 61 anos de poder do Partido Colorado no país. Ex-bispo católico, Lugo teve uma carreira ligada aos movimentos sociais e também prometeu renegociar o tratado da Hidrelétrica Binacional de Itaipu para conseguir um preço “justo” para a energia excedente que o Paraguai vende ao Brasil.

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