Rio de Janeiro, 21 de Abril de 2026

Brasil passa a controlar importação de têxteis da China

Sábado, 11 de Março de 2006 às 15:05, por: CdB

O governo vai começar a controlar a entrada de produtos têxteis chineses no país a partir da primeira segunda-feira do mês que vem, dia 3 de abril. A restrição foi acertada entre Brasil e China, em um acordo de restrição voluntária assinado no dia 3 deste mês e vale para o período de 2006 a 2008. Agora, outros segmentos da indústria brasileira preparam-se para solicitar ajuda oficial contra a concorrência desleal dos produtos que chegam da China. Apesar de priorizar as negociações, o governo brasileiro não descarta a possibilidade de adotar medidas efetivas de defesa comercial contra o gigante asiático, se necessário.

- Nós procuramos estar prontos para defendermos o emprego no nosso país. Vamos fazer isso negociando com os chineses e, eventualmente, usando as salvaguardas quando estes acordos não forem possíveis. Sempre vamos tentar um acordo, mas o governo não vai poder deixar de usar um instrumento legítimo para proteger a indústria brasileira - afirma Armando Maziat, secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

No caso dos têxteis, segundo dados do ministério, em 2003 as exportações de produtos chineses para o Brasil totalizaram US$ 153 milhões, passando para US$ 251 milhões em 2004 e US$ 360 milhões em 2005. O acordo, negociado durante seis meses e fechado em fevereiro pelos dois governos, fixa limites, até 2008, para a importação de oito categorias de têxteis chineses: veludo, bordados, camisas de malha, fios texturizados de poliéster, sintéticos, tecidos de seda, sobretudos e pulôveres. Estes grupos abrangem 76 diferentes produtos que respondem por cerca de 70% das importações do setor.

Antes do Brasil, EUA a União Européia também assinaram acordos semelhantes, mas menos abrangentes, com a Chima. No caso dos Estados Unidos, a restrição alcança 45,8% dos produtos negociados, enquanto o acordo com União Européia cobre 30% das importações.

- Esses acordos são muito melhores do que as salvaguardas. Os países não estão brigando, mas definindo níveis de cooperação - avalia Paulo Bastos, vice-presidente da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico.

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