Rio de Janeiro, 12 de Fevereiro de 2026

Brasil, Paraguai e Argentina vão discutir uso da energia de Itaipu

O Paraguai quer recuperar a soberania sobre a energia produzida pela hidrelétrica binacional de Itaipu. O tema foi tratado durante assembléia geral da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais e entrará na pauta das organizações sociais do Brasil, Argentina e Paraguai. (Leia Mais)

Sábado, 18 de Agosto de 2007 às 13:11, por: CdB

O Paraguai quer recuperar a soberania sobre a energia produzida pela hidrelétrica binacional de Itaipu. O tema foi tratado durante assembléia geral da Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais e entrará na pauta das organizações sociais do Brasil, Argentina e Paraguai.

— Vamos trabalhar esta problemática, informar a população e buscar respostas da parte de nossos governos — diz Beverly Keene, da coordenação do Jubileu Sul para as Américas (rede de movimentos sociais e religiosos).

O Paraguai quer ter acesso a 50% da energia produzida por Itaipu. Isso está previsto no tratado de construção da hidrelétrica, mas uma cláusula determina que a energia não utilizada deve ser vendida ao Brasil a um preço fixo.

— O Brasil vende esta energia para a Argentina, por exemplo. Por que o Paraguai não pode vende essa energia à Argentina? Obviamente, isso seria de suma importância para o país — avalia Beverly.

Itaipú fornece 90% da energia utilizada pelo Paraguai – o volume, porém, equivale a apenas 5% dos 50% que o país têm direito.

— Os tratados, que foram firmados por uma ditadura no Paraguai, não permitem que o governo o paraguaio disponha da energia gerada por esta represa — denuncia Beverly.

Apesar disso, o governo paraguaio ainda tem uma dívida alta pela construção desta usina binacional: US$ 19 bilhões, dos quais US$ 12 bilhões com o Tesouro Nacional brasileiro e US$ 7 bilhões com a Eletrobrás, a ser paga até 2023. Uma dívida, segundo Beverly, ilegítima.

— Entendemos, entre as organizações do Brasil, da Argentina e do Paraguai, que temos uma dívida pendente com o povo paraguaio, que é como tratar este problema, como solucionar o problema das dívidas binacionais e, sobretudo, como o Paraguai pode recuperar sua soberania sobre o uso de sua energia — defende.

Situação semelhante ocorre entre Paraguai e Argentina em razão da hidrelétrica binacional de Yacyretá, no rio Paraná. A Argentina consome 98% da energia produzida e, ainda assim, o Paraguai deve mais de US$ 10 bilhões ao Tesouro argentino pela construção da hidrelétrica.

— São exemplos concretos da realidade de assimetrias que vivemos na região. Isso é parte da realidade dessa nova possibilidade de integração entre nossos países, de integração entre os povos. Há que se encarar estas assimetrias e resolvê-las.

Outro projeto hidrelétrico na mira dos movimentos sociais é o complexo do Rio Madeira.

— Este projeto está propondo, entre Brasil e Bolívia, uma situação praticamente igual aquela estabelecida entre Brasil e Paraguai. Temos tempo para evitar que esta represa seja construída e que os povos boliviano e brasileiro sofram os danos — afirma a representante do Jubileu do Sul.

Ela denuncia que populações que foram deslocadas devido a construção de grandes represas no Paraguai e no Brasil sequer têm acesso à energia elétrica.

— A energia que será gerada com esta represa vai beneficiar a quem? A que modelo de desenvolvimento? E quem vai sofrer os danos. São coisas de importância de toda a região e podemos coordenar esforços para buscar uma maior justiça social na região.

Tags:
Edições digital e impressa