Rio de Janeiro, 19 de Fevereiro de 2026

Brasil - Os estragos do neoliberalismo

Por Selvino Heck - Acabaram de sair os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/2006), divulgada pelo IBGE, e um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) a partir da PNAD, quase todos amplamente positivos, se comparados com períodos anteriores. (Leia Mais)

Terça, 25 de Setembro de 2007 às 14:21, por: CdB

Acabaram de sair os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/2006), divulgada pelo IBGE, e um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) a partir da PNAD, quase todos amplamente positivos, se comparados com períodos anteriores. O Estadão de 20 de setembro, por exemplo, mancheteia: "Miséria no Brasil cai 27,7% no primeiro mandato de Lula". Ou a Folha: "Em um ano 6 milhões de saem da miséria no país". O Correio Braziliense: "Vida Melhor".

Segundo a FGV, a queda de 15,2% da miséria em 2006, em relação ao ano anterior, é o melhor resultado apurado desde o início da série da PNAD, em 1992. Em 2006 havia no Brasil 36 milhões de pessoas qualificadas como miseráveis, o que equivale a 5,87 milhões a menos que em 2005, quando foram registradas 42 milhões com renda per capita abaixo de R$ 125 mensais. Nos últimos três anos -2003, 2004, 2005 -, a redução acumulada da pobreza foi de cerca de 36%.

Segundo Marcelo Néri, pesquisador da FGV, a análise dos dados da PNAD indica que a redução de cerca de 15% da pobreza, em 2006, é o maior resultados dos últimos 10 anos e mostra um crescimento da renda domiciliar per capita de 9,16%, "um resultado próximo a um crescimento chinês". Os números de 2006 não só dão seqüência às conquistas observadas desde a piora da pobreza com a recessão de 2003, como também constituem o melhor ano isolado da série histórica da nova PNAD.

Os números da pesquisa da FGV também são positivos do ponto de vista da distribuição de renda no país. Em 2006, os 50% mais pobres aumentaram a sua participação nas riquezas do país em 12%. Já os mais ricos aumentaram sua participação em 7,8%. Além disso, o índice de Gini, que mede o grau de desigualdade segundo a renda domiciliar per capita, também caiu em 2006, chegando a 15%.

A proporção de pessoas abaixo da linha de pobreza atingiu um marca histórica no ano passado, ao chegar a 19,31%. Em 2005 essa proporção era de 22,77%. Em 1993 chegou a ser de 35%. Esses resultados confirmam que o Brasil já cumpriu a primeira das 8 Metas do Milênio, estabelecidas pela ONU, referente à redução da miséria extrema em 50% em um espaço de 25 anos. Comparando FHC e Lula, no governo Lula (4 anos) a taxa de miséria caiu 8,47%, enquanto que nos 8 anos de FHC apenas 3,14%.

Assim, o cozinheiro baiano Robson Andrade dos Santos faz parte da parcela que deixou a situação de miséria nos últimos anos. Em 2000 ele veio tentar a vida em São Paulo:

- Vim atrás da cidade grande e de oportunidades, como a gente vê na novela.

Depois de viver dois anos na casa de parentes em Heliópolis, maior favela de São Paulo, com uma refeição por dia, conseguiu emprego como auxiliar de cozinha.

- Fui promovido e hoje sou cozinheiro.

Com o salário de R$ 630, alugou uma casa de dois cômodos e já a equipou com TV e DVE, tudo adquirido no crediário.    

São números expressivos, em alguns casos fantásticos, para quem conhece a história do Brasil, mas há um dado que chama a atenção e merece um comentário e uma análise.  Depois de a renda do trabalhador avançar 4% em 2005, ela voltou a ter ganhos reais em 2006, registrando a maior elevação desde 1995. A expansão foi de 7,2%, o que levou o rendimento médio a R$ 883, mesmo patamar obtido em 1999, mas ainda quase 10% abaixo dos R$ 975 recebidos há 10 anos, em 1996.

É onde quero chegar. Com todos as melhorias expressivas dos últimos anos, a renda média do trabalhador brasileiro é ainda 10% menor que a de 1996. Este é o número e a prova mais cabal do que as políticas neoliberais produziram na qualidade de vida do povo brasileiro e cujas conseqüências estão se refletindo duramente até hoje.

E não é só isso. Quando se olha o quadro da criminalidade e da violência, especialmente entre os jovens, vê-se que são exatamente os jovens entre 15 e 30 anos, que cresceram no meio do turbilhão e dos valores neoliberais da competição e do individual

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