O projeto político brasileiro de esquerda implodiu. O PT mais preocupado em permanecer no poder que em fazer reformas estruturais, acabou adotando uma estratégia de financiamento do partido, que degenerou em propinas pessoais favorecendo a maioria de seus dirigentes, repetindo a corrupção dos governos anteriores mas com uma variante - a corrupção ultrapassou as pequenas medidas e se transformou em macro-corrupção. Antes se falava em justiça seletiva, mas agora quando os processos se estendem a todos os partidos, não há mais desculpa plausível. Pensar uma reforma política que impeça a corrupção como forma de governo, responsável atual pelo fracasso dos projetos sociais de esquerda, é urgente para se evitar o desencanto do povo e a ascensão de populistas. Enquanto isso, o PT não se reforma e insiste em se negar à autocrítica, esperando que o povo tenha memória curta e tentando ocultar que a crise atual começou antes da reeleição de Dilma. Nota do Editor.
Por Editorial da Revista Será?, Recife:
A política no Brasil virou um grande negócio, e o mundo político brasileiro está contaminado pela corrupção. A operação Lava Jato está aí para confirmar e, principalmente, para perseguir os culpados, de modo a acabar com a impunidade. Parece haver um consenso em relação a este ponto, embora alguns políticos queiram pairar acima de qualquer julgamento, e tentem desqualificar os juízes, para esconder seus crimes
Ex-presidente Lula.
No entanto, a divulgação, pela imprensa e pelas redes, das delações da Odebrecht, nesta semana, joga no mesmo balaio os políticos e partidos com financiamento das suas campanhas eleitorais, e os que receberam propina, com pagamento por contratos ilegais e por favores nas decisões executivas e legislativas.
A generalização confunde, mais que esclarece, jogando uma cortina de fumaça de proteção dos criminosos no velho estilo “são todos farinha do mesmo saco”.
Na verdade, os nomes citados foram classificados e separados pelo ministro Edson Fachin de acordo com as evidências e o tipo de envolvimento. Alguns processos foram simplesmente arquivados, como o do ministro Raul Jungmann, vários foram devolvidos à Procuradoria Geral da República para análise e para nova manifestação, entre os quais se incluem os do deputado Jarbas Vasconcelos e do ministro Roberto Freire.
E mesmo entre as dezenas de inquéritos abertos existem dois tipos bem diferentes: mais da metade dos deputados e senadores acusados respondem por falsidade ideológica eleitoral, eufemismo para Caixa 2 (entre os quais se incluem os deputados Betinho Gomes, Vicentinho e Nelson Pellegrino, e os senadores Jorge Viana, Cássio Cunha Lima e Marta Suplicy), completamente diferente do restante, que deve responder por crime de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
Essa diferença é relevante também para os que não têm foro privilegiado: segundo as informações, enquanto a ex-presidente Dilma Rousseff teria apenas recebido financiamento para a campanha eleitoral, Marcelo Odebrecht afirma que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva teria sido beneficiado com propina, compra de imóveis e transferência de milhões de reais como pagamento de supostas palestras.
Misturar alhos e bugalhos é injusto, e pode provocar um perigoso processo de demonização da política e de todos os políticos, com um enorme prejuízo para a democracia, e o risco de instabilidade e paralisia. (http://revistasera.ne10.uol.com.br/alhos-e-bugalhos-editorial)
Revista Será? Penso logo duvido , Recife.
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