O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta quarta-feira que o país "não pode esquecer da inflação" nem imitar receitas anticrise de outros países para garantir a continuidade do crescimento.
- Não devemos esquecer a inflação, inflação não é forma de crescer rápido - afirmou Meirelles quando questionado em uma comissão do Congresso sobre por que o país não reduz a taxa de juros para promover a atividade.
Meirelles citou que, enquanto muitos países ao redor do mundo estão reduzindo as taxas para fazer frente à recessão, outros, como Rússia e Hungria, têm elevado o juro em meio a uma desvalorização cambial.
- O Brasil é um caso diferente desses países todos, de um lado ou de outro - afirmou Meirelles durante a audiência pública.
- Ações anticrise também têm efeitos colaterais, por isso temos que fazer o diagnóstico mais preciso possível - disse.
Ele destacou ainda o fato de o crédito no Brasil já mostrar recuperação em novembro, após ter se retraído em outubro em meio à crise. Segundo Meirelles, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que os bancos oficiais devem ter um papel de liderança nesse processo, atuando para reduzir os spreads e fomentar a liquidez.
Swap
Meirelles defendeu as operações de swap cambial promovidas pela autoridade monetária para oferecer a investidores proteção contra oscilações do dólar. Ele afirmou que essas operações renderam ao BC ganho de 5,098 bilhões de reais desde que começaram a ser feitas, em 2002.
Em 2008, até 31 de outubro, o ganho foi de 5,922 bilhões de reais, segundo Meirelles.
- Mas a finalidade dessas operações não é dar lucro, e sim proteger o país - afirmou.
Meirelles informou também que as vendas de dólares no mercado à vista pelo BC, promovidas para dar liquidez ao mercado no momento de crise global, somavam 6,3 bilhões de dólares até a última sexta-feira.