O Brasil não vai entrar na disputa para sediar os Jogos Olímpicos de 2016 como um país “terceiro-mundista, disse nesta segunda-feira, no Rio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao falar na solenidade de lançamento da campanha Rio Sede das Olimpíadas de 2016, Lula destacou que o país entra na concorrência com chances de vencer, aproveitando estruturas construídas para os Jogos Pan-Americanos e para a Copa de 2014.
Segundo ele, o projeto Rio 2016 já tem instalações para receber 72% dos atletas – 56% delas foram utilizadas no Pan. Ainda de acordo com o presidente, para reforma de instalações já existentes, construções das novas e montagem das temporárias serão necessários US$ 508 milhões.
- Estão estimados investimentos de US$ 2,6 bilhões em corredores de transporte público de alta capacidade, novas vias, reforma e ampliação do sistema de metrô e trens, além da conclusão do arco rodoviário da região metropolitana - informou o presidente.
A experiência dos Jogos Pan-Americanos será amplamente utilizada no sistema de segurança a ser implantado para as Olimpíadas.
- Vamos entrar na disputa, não do zero, com se fossemos um país terceiro-mundista em busca de espaço. Vamos começar com uma performance como poucas vezes algum país já começou - afirmou.
Lula informou que muitas áreas da capital fluminense, como a zona portuária e o entorno do estádio do Maracanã e da Quinta da Boa Vista, serão revitalizadas. Segundo ele, outros estados e o Distrito Federal também serão beneficiados se o país for escolhido como sede dos jogos.
- Praças esportivas fora do Rio serão as sedes regionais do torneio de futebol, como Brasília, Belo Horizonte, São Paulo e Salvador.
Quanto ao fato de o Brasil ter ficado em quarto lugar na escolha dos países que foram para a fase final da disputa (Espanha, Estados Unidos e Japão), Lula disse que é possível virar o jogo.
- Nem sempre em uma eleição quem ficou em primeiro lugar no primeiro turno é o vitorioso no segundo turno.
O presidente lembrou, entretanto, que a América Latina tem menos representantes no Comitê Olímpico Internacional (COI) do que a Europa, o que dificultaria a escolha do Brasil.
- Vamos enfrentar um embate político com 115 eleitores - afirmou Lula, referindo-se aos juízes do COI.
- Como na política, no esporte, a matemática não é uma ciência exata quando se trata de representação para escolha das Olimpíadas.
Conforme o presidente, enquanto a Suíça tem quatro delegados e a Itália, cinco, toda a América Latina tem apenas quatro representantes no comitê.
- O trabalho de convencimento é muito mais difícil. É preciso que a gente se apresente com as qualidades que temos, e são muitas as qualidades, embora nem sempre nós, brasileiros, reconheçamos nossos valores - concluiu.