Rio de Janeiro, 03 de Janeiro de 2026

Brasil não deve extraditar Cesare Battisti

Segunda, 19 de Março de 2007 às 04:16, por: CdB

Existem momentos em que uma decisão da Justiça brasileira pode transmitir ao mundo uma mensagem de serenidade, equilíbrio e ponderação. Este artigo quer ter mais uma função de manifesto, para propor às personalidades brasileiras, muitas das quais viveram o exílio político, uma mobilização para pedir ao nosso Supremo Tribunal a rejeição do pedido de extradição do antigo militante da extrema-esquerda Cesare Battisti, preso no Rio de Janeiro.

 

Condenado à revelia à prisão perpétua, na Itália, por quatro crimes dos quais nega ser o autor, Cesare Battisti tinha se beneficiado, na França, de uma decisão do presidente Mitterrand contrária à extradição de antigos militantes revolucionários italianos. Julgando-se em lugar seguro, depois de ter fugido para o México, onde sobreviveu com pequenos empregos, Battisti começou ali a escrever livros policiais, talvez obcecado pela sua própria história de foragido - uma espécie de Jean Valjean italiano perseguido todo tempo por um obsessivo Javert.

 

Para ter do que sustentar a esposa, conhecida na primeira fuga da Itália à França, quando atravessou a pé os Alpes, e as duas filhas, se tornou zelador de um prédio em Paris. Zelador-escritor, o antigo militante italiano do PAC, Proletários Armados pelo Comunismo, pequeno grupo italiano que "caiu na cilada da luta armada" na luta contra o poder, como ele próprio diz, assim esperava viver o resto de sua vida. Sua primeira prisão ocorreu quando tinha 25 anos ( hoje tem 53 ), tendo sido libertado dois anos depois por uma operação comandada por seu companheiros.

 

Entretanto, o fim do governo Mitterrand, pos fim à sua anistia política. Um novo pedido de extradição pela Itália acabou sendo acatado pelo governo  francês de Jacques Chirac. Não querendo ser extraditado para a Itália e ali passar o resto da vida na prisão, Cesare Battisti retomou sua vida de foragido. Na sua defesa, no julgamento da extradição, Battisti, além de negar os crimes, destacou a desumanidade da pena - "o que será de minha mulher e minhas filhas, que não poderei mais ver e nem sustentar ? Na verdade, serão elas também condenadas comigo".

 

Por que não extraditar Cesare Battisti?

 

Além da questão humanitária, pois os crimes dos quais é acusado ocorridos no começo dos anos 70, normalmente já teriam sido prescritos, os crimes dos quais é acusado fazem parte de uma outra época da história política européia - o das Brigadas Vernelhas, cujas manifestações ocorreram tanto na Alemanha como na Itália. Uma das últimas militantes alemãs, acaba de ser indultado depois de trinta anos de prisão. Eram jovens idealistas de origens diversas motivados pelo desejo de

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