O vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Vantuil Abadala, defendeu nesta segunda-feira cautela na reforma trabalhista a ser proposta pelo governo ao Congresso.
Ao participar do 2º Congresso Internacional de Direito do Trabalho, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), o ministro disse que o governo não deve copiar modelos "alienígenas" de flexibilização da legislação trabalhista e deve sim estar atento às particularidades da realidade do país.
O congresso, que prossegue até esta terça-feira, tem como tema "A reforma trabalhista: 60 anos de CLT - de Vargas a Lula".
Vantuil Abdala ressaltou que a Consolidação das Leis do Trabalho completa hoje 60 anos de vigência, com inúmeras mudanças em relação ao texto original. Entre as reformulações de maior impacto ele citou a substituição, em 1964, da estabilidade pelo FGTS.
A instituição do banco de horas e a possibilidade de trabalho sem carteira assinada por intermédio das cooperativas foram outros dois exemplos de flexibilização dos direitos trabalhistas citados por ele.
- A própria Constituição, ao autorizar até a redução do salário, desde que por meio de acordo coletivo, abriu caminho para a flexibilização - disse.
Primeiro conferencista do congresso, o vice-presidente do TST fez ressalvas aos quatro eixos da reforma em discussão no Fórum Nacional do Trabalho que são as comissões de conciliação prévia (avaliação crítica e perspectivas); a terceirização e as cooperativas; os fundamentos do Direito Coletivo do Trabalho, nos quais estaria inserida a reforma sindical; e os direitos fundamentais do Trabalho.
O ministro afirmou que há projetos em tramitação no Congresso Nacional que tratam tanto das comissões como das cooperativas e não haveria necessidade de pôr essas questões como eixo das discussões do Fórum.
Brasil não deve copiar reforma trabalhista alheia, diz vice do TST
Segunda, 10 de Novembro de 2003 às 17:16, por: CdB