Rio de Janeiro, 05 de Novembro de 2026

Brasil não considera Farc como grupo terrorista

Terça, 15 de Janeiro de 2008 às 09:19, por: CdB

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, rejeitou o pedido do presidente venezuelano Hugo Chávez de classificar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) como força insurgente, em vez de grupo terrorista, como define o governo colombiano. Amorim disse que o Brasil não faz classificação de quais organizações são terroristas e, por isso, não iria discutir se as Farc entram ou não nesta categoria.

- Agora, isso não implica também dar às Farc um status político que torne até dificil este diálogo do ponto de vista do governo colombiano - afirmou Amorim na Cidade da Guatemala, onde acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia de posse do novo presidente do país, Álvaro Colom.

O ministro afirmou, ainda, que "no momento, não se trata de encontrar nenhum outro status", referindo-se ao pedido do presidente venezuelano.

- A única organização classificada pelo governo brasileiro como terrorista é a Al-Qaeda - disse Amorim, porque é o único grupo definido desta maneira pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Chávez fez o pedido na semana passada, após a libertação de duas reféns pelas Farc, na quinta-feira. Neste domingo, no programa Alô Presidente, o presidente venezuelano disse que a mudança de status faria com que o grupo guerrilheiro se submetesse à Convenção de Genebra e o forçaria a libertar os reféns que mantém. A sugestão de Chávez foi rejeitada por vários presidentes latino-americanos que se manifestaram sobre o assunto, inclusive aliados como o equatoriano Rafael Correa.

Amorim disse que é preciso ter um diálogo por motivos humanitários e elogiou a grandeza do presidente Uribe, que permitiu a negociação entre Chávez e as Farc.

- Todos saíram ganhando (com a libertação das reféns). Agora, vamos continuar um caminho aí com cautela, com equilíbrio, para que possamos dar outros passos, outras pessoas possam ser libertadas e, quem sabe no futuro, ver o que acontece - afirmou. 

No programa Café com o Presidente, veiculado por emissoras de rádio na manhã de segunda-feira, Lula disse que fazia um apelo ao presidente colombiano Álvaro Uribe e às Farc para que negociem a libertação de mais reféns.

- O apelo que eu faço é que o governo colombiano e o meu amigo, o presidente Uribe, mais os dirigentes das Farc se coloquem de acordo para que se possa libertar mais pessoas que estão seqüestradas - afirmou Lula.

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