O secretário especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, afirmou na quinta-feira, em entrevista coletiva, que o Brasil não vai aceitar golpe de Estado na Bolívia.
- Nós não toleraremos uma ruptura do ordenamento constitucional boliviano - disse Garcia, que integrará a missão brasileira ao país vizinho.
Indagado se a declaração significava apoio de tropas brasileiras ao governo boliviano, Garcia respondeu: "Significa que o Brasil não reconhecerá nenhum intento de governo que queira substituir um governo constitucional da Bolívia."
A avaliação do governo brasileiro é de que qualquer processo de desestabilização na Bolívia, diante da posição geopolítica do país, "poderia acarretar prejuízos extraordinários à região", afirmou Garcia.
A oposição ao presidente Evo Morales tem aumentado os protestos, promovendo atos de sabotagem contra os gasodutos do país, o que já provocou redução no fornecimento do gás boliviano ao Brasil e à Argentina.
- Isso é terrorismo, não tem terrorismo bom ou mal, terrorismo de esquerda ou de direita. Atos terroristas dificultam o diálogo - acrescentou Garcia.
Segundo o secretário, Morales confidenciou a Lula que está "pessimista" com o nível das conversações com a oposição, mas que tem interesse em restabelecê-las plenamente. Garcia contou que Lula telefonou também para os presidentes Cristina Kirchner, da Argentina, e Hugo Chávez, da Venezuela, para tratar da crise boliviana. Lula pretende ainda conversar com a presidente do Chile, Michelle Bachelet.
O Grupo de Amigos da Bolívia, formado por Brasil, Argentina e Colômbia, tenta encontrar um consenso para solucionar a crise e está pronto para viajar a La Paz assim que Evo Morales determinar, disse Garcia.
O secretário disse já ter vivido situações "gravíssimas" na Bolívia, que muitas vezes se falou em guerra civil, mas que acredita no entendimento.
- Nós esperamos que frente a esses problemas se encontre uma solução para evitar a hipótese de uma guerra civil - concluiu