Rio de Janeiro, 22 de Abril de 2026

Brasil mostra ao mundo que vive em paz e ama o <i>Rock'n Roll</i>

Enquanto os Rolling Stones saboreavam no café-da-manhã do Copacabana Palace a vista da praia onde protagonizaram o maior show de Rock'n Roll já realizado na face da Terra, para um público superior a 1,5 milhão de pessoas, o U2, outra banda lendária no templo do rock, desembarcava em São Paulo onde reúne nesta segunda-feira outra multidão, no Morumbi. (Leia Mais)

Domingo, 19 de Fevereiro de 2006 às 11:09, por: CdB

Enquanto os Rolling Stones saboreavam no café-da-manhã do Copacabana Palace a vista da praia onde protagonizaram o maior show de Rock'n Roll já realizado na face da Terra, para um público superior a 1,5 milhão de pessoas, o U2, outra banda lendária no templo do rock, desembarcava neste domingo em São Paulo onde reúne, nesta segunda-feira, outra multidão, no Morumbi. O Brasil, neste verão, pode dizer ao mundo que, apesar das guerras de traficantes, da pobreza secular, das injustiças sociais e valeriodutos, aqui se vive em paz.

No palco móvel, construído nas areias de Copacabana, os lendários Mick Jagger, Keith Richard, Ron Woods e Charlie Watts, e o baixista Charlie Watts chegaram a poucos metros do público, que foi ao delírio. Os mais afoitos chegaram a lançar camisetas ao palco, mas foram desencorajados por Jagger com um chutinho no objeto. Nenhum incidente grave, além de pequenos furtos e detenções por uso de entorpecentes.

O que o público queria mesmo era estar ali, diante dos eternos gigantes do rock. Britanicamente pontuais, às 21h45 os Stones pisaram o palco e, aos 62 anos, com a energia daquele garoto que revolucionou o som e os costumes nas décadas de 70 em diante, com um colete cor de prata, calça preta colada ao corpo, com um cinto de strass, Mick Jagger levou a multidão ao delírio. A festa começou ao som de Jumping Jack flash e não parou mais.

- Boa noite, galera! - gritou Jagger, e a resposta que recebeu de volta mostrou que ali, naquele instante, o mundo inteiro saberia que o momento era mágico.

O alto astral do público e a meia-lua no céu fizeram Jagger concordar que aquela era "uma noite perfeita para um show", disse para um público extasiado, dançante em todas as gerações. Três, para ser exato. Os sessentões não deixaram os fãs desanimar por nenhum minuto. As pequenas pausas ao longo de duas fantásticas horas eram suficiente apenas para tomar fôlego e continuar. Desde a frente do Copacabana Palace até a rua Rua Antônio Vieira, no Leme, uma massa humana compacta parecia ser maior do que aquelas areias já conhecem, todos os anos, no réveillon. Era tanta gente que a PM precisou usar spray de pimenta para abrir o trânsito em alguns pontos.

No final, quando as luzes do palco se apagaram, teve gente chorando na praia.

- Essa foi a primeira e, com certeza, será a última vez que verei os Rolling Stones aqui no Rio, até o fim da minha vida - disse uma roqueira cinqüentona, em êxtase, diante da imagem do que ela considerou "o paraiso na Terra".

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