Muito correta a posição da diplomacia brasileira, horas após a partida, na 2ª feira, do presidente Barack Obama do Rio, ao lamentar a morte de civis na invasão e pedir um imediato cessar fogo na Líbia. Aliás, o presidente líbio, Muamar Kaddhafi, já observou dois cessar-fogo no país, no sábado e no domingo, e pediu, inclusive, a designação de observadores internacionais para uma inspeção.
Mas, os EUA e potências ocidentais não inspecionaram coisa nenhuma, não quiseram nem saber e continuaram a despejar bombas e mísseis sobre o país. A solicitação brasileira continua coerente com a posição adotada pelo país e pelos outros três BRICs - Rússia, Índia e China - e mais a Alemanha, de votar na 6ª pp. no Conselho de Segurança da ONU (CS-ONU) contra aquela mentira do estabelecimento de uma "zona de exclusão aérea" na Líbia.
A própria Liga Árabe, bloco integrante da coalizão diverge quanto a isto. Desde os primeiros bombardeios no sábado, ela manifesta sua preocupação de que a operação vá além de impedir investidas do regime líbio contra civis. E deixa claro que o que aprovou no CS-ONU não previa bombardeios contra estas populações.
Mídia expõe o racha entre aliados
Ainda que não se posicione contra a intervenção na Líbia, mas até por não haver como esconder, a imprensa internacional, conforme reproduz Nelson de Sá em sua coluna Toda Mídia de hoje da Folha de S.Paulo, pelo menos assinala o "racha" entre os países integrantes da coalizão.
Ela mostra que os desentendimentos vão desde os bombardeios que vitiam populações civis, aos torno objetivos da intervenção que, para os dissidentes, não vão até a inclusão da derrubada do presidente Muamar Kaddhafi.
O site do New York Times, por exemplo, manteve por boa parte do dia títulos como publicado em torno do cinismo externado pelos aliados - "Coalizão rejeita ter matado civis". O Wall Street Journal, também registra que "Aliados mostram divisão" e a revista alemã Der Spiegel acentua a pretensão do presidente americano Barack Obama dde passar o comando da operação a outro país ou instituição.
Obama não tem a quem transferir o comando
"Obama diz que transfere controle em dias", registra o jornal, assinalando que não será fácil, porque a "OTAN não tem acordo para assumir comando" uma vez que a "Turquia bloqueia". O Financial Times, em reportagem, considerou que "O apoio da Al Jazeera é chave para a coalizão".
Logo depois o próprio FT registrou que a emissora de TV do emirado do Qatar está priorizando a cobertura do conflito no Iêmen, país em que o ditador, no poder há 32 anos, perdeu ontem apoio político, do governo, de militares e diplomático.
Rio de Janeiro, 06 de Agosto de 2026
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