As queimadas causam 19% do efeito estufa, segundo artigo publicado na revista Science.
O registro via satélite anual das queimadas propositais mostra que Brasil, Malásia e Indonésia são os países que mais precisam avançar em políticas públicas que controlem o fogo deliberado.
De acordo com cientistas, entre 1997 e 2006, os trópicos asiáticos contribuíram com 54% das emissões. Dos trópicos americanos, principalmente da Amazônia, saíram 32%. A África fecha a conta com a contribuição de 14%.
É na Amazônia, principalmente em Mato Grosso, que está a maior intensidade de focos de calor do planeta. Entre 2000 e 2005, segundo um estudo americano publicado em 2006, Mato Grosso tinha duas vezes mais queimadas que qualquer outra região.
– As florestas úmidas não têm uma experiência histórica com o fogo na frequência com que ele está aparecendo hoje nesses ambientes –, afirma Jennifer Balch, do Centro Nacional para Análises Ecológicas e Sínteses, EUA, coautora da pesquisa.
De acordo com a cientista norte-americana, durante uma seca extrema, 39 mil quilômetros quadrados da Amazônia entraram em combustão.
O fogo, cada vez mais presente por causa das mudanças climáticas, causa grandes prejuízos.
No fenômeno El Niño, que aconteceu em 1997, na Ásia tropical, as estimativas mostram uma conta de US$ 9 bilhões. Na América Latina, mais seca e por isso mais inflamável, os débitos ficaram em US$ 12,5 bilhões.
Diante das mortes, das secas e do aquecimento global em pleno curso, os cientistas esperam que os países tropicais passem a considerar mais corretamente o peso das queimadas.