Rio de Janeiro, 21 de Maio de 2026

Brasil leva a Cuba propostas para o tratamento da AIDS

Segunda, 07 de Abril de 2003 às 07:29, por: CdB

O coordenador do Programa Nacional de DST/Aids, Paulo Roberto Teixeira, reafirmará em Cuba as propostas que vem fazendo à OMS sobre a política de atenção aos portadores do HIV. Teixeira defende maior compromisso da OMS com projetos de tratamento onde os medicamentos não são distribuídos aos infectados. Paulo Roberto Teixeira participa de segunda-feira(07) ao dia 12, em Havana, do II Fórum em HIV/Aids e DST da América Latina e Caribe. A conferência vai discutir, entre outros temas, a importância do acesso ao tratamento como direito humano dos portadores e dever dos governos, bem como a mobilização da sociedade civil para o controle da epidemia. "Vamos continuar defendendo a fabricação local e a importação de genéricos para a Aids, para ampliar o acesso ao tratamento nos países em desenvolvimento e discutir formas de controle da qualidade desses genéricos, como acontece hoje no Brasil, onde os nossos remédios passam por rigorosos testes de bioequivalência e biodisponibilidade para se equipararem às marcas de referência", disse Teixeira. Além do coordenador, 16 técnicos da Coordenação Nacional de DST/Aids fazem parte da delegação brasileira que participa do encontro em Cuba. Todos eles tiveram trabalhos selecionados para apresentação na conferência. Um deles, da assistente social Jacqueline Fabíula, mostra o impacto da Aids na Previdência Social do Brasil: a partir de 1996, quando houve a introdução da terapia anti-retroviral, os pedidos de aposentadoria deram lugar aos auxílios por doença e aos benefícios de prestação continuada, o que revela que as pessoas estão vivendo mais e trabalhando também por mais tempo. O estudo aponta também para o empobrecimento da epidemia, uma vez que os benefícios de prestação continuada só podem ser requeridos por pessoas de baixíssimo poder aquisitivo. É que a doença atinge cada vez mais a população de menor poder aquisitivo nas periferias das grandes cidades e nos pequenos municípios onde o acesso aos serviços de saúde é mais difícil. Um outro trabalho visando consolidar as ações do governo e do Sistema Único de Saúde (SUS) para o desafio que a Aids representa será levado a Cuba: trata-se de um projeto desenvolvido na Bahia, com o nome de "Cuidando do Cuidador". O projeto envolve o maior número de profissionais que trabalham no atendimento direto aos portadores de DST/HIV/Aids, com o objetivo de humanizar a prática profissional, para melhor acolhimento, aconselhamento e motivação da adesão ao tratamento. A Coordenação Nacional de DST/Aids já está trabalhando em conjunto com os demais ministérios e programas sociais do governo, para ampliar o atendimento aos portadores de DST/HIV/Aids no interior do país e entre a população de menor poder aquisitivo.

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