Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2026

Brasil fecha proposta para negociar Alca com os EUA até 2005

Depois dos avanços alcançados pelo governo brasileiro nas recentes negociações com os Estados Unidos sobre a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), o Brasil vai à reunião ministerial da Alca, marcada para a semana que vem em Miami, otimista quanto à formulação de um acordo que beneficie o país e, também, o Mercosul. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, está particularmente confiante depois da flexibilidade apresentada pelo governo norte-americano na semana passada. (Leia Mais)

Sexta, 14 de Novembro de 2003 às 09:50, por: CdB

Depois dos avanços alcançados pelo governo brasileiro nas recentes negociações com os Estados Unidos sobre a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), o Brasil vai à reunião ministerial da Alca, marcada para a semana que vem em Miami, otimista quanto à formulação de um acordo que beneficie o país e, também, o Mercosul. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, está particularmente confiante depois da flexibilidade apresentada pelo governo norte-americano na semana passada - que sinalizou aceitar a proposta de que ao países da Alca possam assumir compromissos distintos dentro da área de livre comércio. "Eu fiquei encorajado pelas conversas porque o elemento de flexibilidade nosso foi compreendido. A Alca pode ser ampla, desde que seja equilibrada não só para um lado", enfatizou Amorim.

O ministro apresentou ao presidente Lula e a oito ministros, em reunião na noite dessa quinta-feira no Palácio do Planalto, as conquistas do governo brasileiro na reunião com o representante de comércio dos EUA, Robert Zoellick, em Washington na semana passada. Segundo Amorim, a orientação do presidente Lula é reafirmar as linhas de negociação que vêm sendo defendidas pelo governo desde o início do ano.

O Mercosul, segundo o ministro, continua sendo prioridade para o governo brasileiro e para o presidente Lula. "Queremos negociar com espírito construtivo, procurando ampliar o comércio e preservar a capacidade do Brasil e do Mercosul de desenharmos as nossas políticas", disse.

Daqui para frente, segundo Amorim, as negociações apontam para o caminho de que cada país poderá assumir compromissos na Alca de forma diferenciada. A idéia é que, além das propostas amplas para a criação da área de livre comércio, possam surgir acordos multilaterais que levem em conta as diferenças entre os 34 países que vão compor a área. "Queremos uma arquitetura da Alca que não imponha nem impeça. Teremos objetivos comuns para o livre comércio de bens e serviços, mas na parte normativa, por exemplo, temos concepções diversas", esclareceu. Nas áreas de negociações que forem comuns a vários países, como a questão dos subsídios agrícolas, o ministro esclareceu que as negociações apontam que serão procuradas normas gerais para todos.

Na semana passada, o chanceler aceitou deixar para a Organização Mundial do Comércio (OMC) as decisões sobre o principal entrave ao ingresso do Brasil na Alca: os subsídios aos produtos agrícolas. Ao mesmo tempo, o representante de comércio dos EUA também cedeu e sinalizou deixar para a OMC a definição de regras para investimentos e propriedade intelectual e compras governamentais.

União Européia

Amorim aproveitou o encontro com Lula para, ao lado do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, fazer um rápido balanço das negociações brasileiras com a União Européia. Os dois ministros retornaram ontem de Bruxelas, onde representantes do Mercosul e da União Européia estabeleceram novo cronograma de ações para que, em um ano, sejam concluídas as negociações comerciais entre o bloco da América do Sul e o europeu. O chanceler está otimista com as relações do Mercosul com os países europeus. Ele admitiu, inclusive, ser mais fácil negociar com a União Européia que com os países membros da Alca. "A diferença com a União Européia é que nós, o Mercosul, negociamos diretamente. Eles consideram a negociação um mais um: Mercosul e União Européia. Eles têm preocupação com a nossa integração, embora haja limitações, como a própria questão dos subsídios agrícolas", ressaltou.

O Brasil será representado na reunião ministerial da Alca pelo próprio ministro Amorim e pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Mesmo com todo o otimismo, o chanceler admitiu que o Brasil ainda terá um longo caminho pela frente para que a Alca possa ser viabilizada até 2005. "A negociação é complexa. Estamos ainda discutindo a arquitetura da Alca, mas ela é importante porque é quem permite as flexi

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