O Brasil faz da Organização Mundial do Comércio "uma máquina de guerra comercial", avalia nesta sexta-feira uma matéria publicada no jornal suíço Le Temps.
A matéria diz respeito à queixa que o país decidiu abrir na organização contra os subsídios concedidos pelo governo americano para a produção agrícola, que ultrapassam os US$ 19 bilhões anuais autorizados pela entidade.
A redução dos subsídios norte-americanos tem sido defendida no âmbito da Rodada Doha por países emergentes, liderados por Brasil e Índia.
Mas as negociações, que deveriam ter encerrado no final de 2004, mergulharam em crise depois que os dois países abandonaram uma negociação no fim do mês passado.
"Na aparência, o Brasil ainda acredita no sucesso da Rodada de Doha, que tem como um dos objetivos liberalizar o comércio de produtos agrícolas. Mas no fundo o país, que tem a ambição de se tornar o grande exportador mundial de alimentos, não tem ilusões", diz o jornal.
O diário observa que a dispute coincide com as discussões que se desenrolam atualmente no Congresso norte-americano, encarregado de revisar até o fim do ano a legislação agrícola do país.
Por razões orçamentárias, o governo pretende reduzir as ajudas aos produtores, mas a iniciativa encontra poderosos lobbies.
Neste contexto, ainda que indiretamente, a pressão via OMC poderia influir na decisão dos parlamentares em Washington.
Outros destaques da imprensa
O país também foi objeto de matérias em outros jornais internacionais.
O diário financeiro francês Les Echos destacou que, com forte desempenho, o Brasil é até agora o "grande vencedor" de valorização do mercado acionário, na comparação com outros países.
O Les Echos diz que o apetite de investidores internacionais por papéis de países emergentes foi forte no primeiro semestre deste ano.
Com alta de 31,4%, as ações brasileiras superaram nos seis primeiros meses de 2007 a valorização geral da América Latina (27%) e da Ásia (18,5%).
"Contrariando a idéia de que a América Latina seria a região mais afetada pelo desaquecimento americano, os fundamentos econômicos permaneceram sólidos no período", disse um analista ao jornal que circula nos meios empresariais europeus.
A apreciação do real, a estabilidade dos preços de matérias-primas exportadas pelo país, os resultados positivos da balança comercial e as perspectivas de fusões e aquisições na área de telecomunicações beneficiaram a economia brasileira, avaliou o Les Echos.