Na próxima segunda-feira, o governo brasileiro vai enviar a Londres dois representantes, que vão se reunir com representantes da Comissão Independente sobre Queixas contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês) e com o subchefe da Polícia Metropolitana de Londres, John Yates, além de outras autoridades britânicas para rediscutir a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto a tiros em Londres ao ser confundido com um terrorista. .
O subprocurador-geral da República e corregedor-geral do Ministério Público Federal, Wagner Gonçalves, e o diretor-adjunto do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça, Márcio Pereira Pinto Garcia estão sendo aguardados na capital britânica às primeiras horas desta segunda-feira.
- É expectativa do governo brasileiro obter amplos esclarecimentos, inclusive a respeito das notícias recentemente veiculadas pela imprensa - disse uma nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores.
O chefe da Scotland Yard, Ian Blair, declarou nesta sexta-feira que não pedirá demissão, apesar das últimas revelações sobre as circunstâncias da morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, que foi assassinado por policiais britânicos que, erroneamente, o consideraram um terrorista.
-Não, por nada - respondeu Blair ao ser perguntado se pensava em abandonar o cargo depois das últimas informações sobre a morte do brasileiro.
- A morte de Menezes é trágica, pedimos desculpas e assumimos a responsabilidade, mas é uma morte entre 57 - acrescentou, em uma referência aos 56 mortos dos atentados de 7 de julho contra os transportes públicos londrinos.
A Scotland Yard está na alça de mira desde que a rede de televisão ITV revelou, na última terça-feira, os documentos da Comissão Independente de Reclamações sobre a Polícia (IPCC) que sugerem que uma série de erros teriam causado a morte do brasileiro.