Rio de Janeiro, 28 de Outubro de 2026

Brasil está no 'segundo tempo do jogo' no Haiti, diz Lula

Quinta, 29 de Maio de 2008 às 09:32, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que a presença das forças de paz da ONU no Haiti, comandadas pelo Brasil, podem ser comparadas a um jogo de futebol. De acordo com o líder brasileiro, o ano de 2004 representou o primeiro tempo da partida. Naquela ocasião, teve início a missão dos militares brasileiros e nesse período os soldados travaram os mais duros combates contra as gangues que dominavam as favelas da capital haitiana.

– Agora, estamos começando o segundo tempo do jogo. O primeiro tempo foi uma etapa complicada, de ir conhecendo aos poucos as manhas do adversário, fechar uma defesa segura e não deixar passar nenhum gol – disse.
 
– No segundo tempo, é hora de tomarmos uma iniciativa, e a tática do jogo aqui é o fortalecimento cada vez maior da nossa presença solidária – afirmou o presidente, durante um discurso realizado na Base Geral Bacellar, sede do quartel-general das tropas brasileiras no Haiti.

De acordo com o líder brasileiro, é hora de dar um segundo passo, que consiste em convencer a comunidade de doadores internacionais de que é ''preciso efetivamente entender que o que vai consolidar a democracia no Haiti é o desenvolvimento, a geração de empregos e cidadania''.

Críticas

Em um discurso realizado pouco antes, na sede do governo haitiano, ao lado do presidente René Préval, Lula fez críticas à comunidade internacional, que, segundo ele, teria ficado muito aquém das expectativas e das promessas em relação ao Haiti.

Para o presidente, na nova etapa que se apresenta o Brasil deverá investir com mais afinco em obras de infra-estrutura no Haiti.

– Nosso embaixador vai levar os principais projetos que eles têm interesse, que são projetos de algumas barragens, uma para energia elétrica e outra para agricultura – disse.
 
De acordo com o líder brasileiro, uma equipe de técnicos da Eletrobrás irá ao Haiti, assim como comitivas do Ministério da Integração Nacional, da Agricultura e da Reforma Agrária, para que seja feito uma análise “minuciosa”' de projetos nos quais estas pastas poderão investir no Haiti.
Lula contou ainda ter convidado o presidente do Haiti para ir ao Brasil no próximo dia 13 de agosto, ''para que a gente possa consolidar um acordo''.

O presidente respondeu às críticas de que a presença brasileira no país caribenho poderia evoluir para uma relação de tutelagem.

– Não, não queremos tutelar. Disse da outra vez que vim aqui que o Brasil ficará aqui enquanto o presidente Préval e o governo do Haiti entenderem que a Força de Paz pode contribuir para manter a paz ou enquanto a ONU achar que é necessário o Brasil estar presente – disse.

Sem Ronaldo ou Ronaldinho

Na quarta-feira mais cedo, durante seu discurso na sede do governo, Lula, assim como em seu pronunciamento na base militar brasileira, recorreu a analogias futebolísticas para descrever a trajetória das forças de paz do Brasil.

– No dia 18 de agosto de 2004, estive pela primeira vez no Haiti. Foi a primeira visita de um chefe de Estado estrangeiro, após os fatos que levaram à parceria entre as Nações Unidas e o povo haitiano na busca da estabilização deste país-irmão. Vim acompanhado da Seleção Brasileira de futebol para trazer um momento de alegria e descontração – disse.

– Como lhe disse na reunião particular, não trouxe desta vez nenhum jogador da Seleção Brasileira, nem Ronaldo nem Ronaldinho – comentou o presidente.

– Mas trouxe uma equipe de brasileiros, jogadores do meu governo, que estão me ajudando a ganhar o jogo no Brasil. São esses homens que me ajudaram no Brasil que irão me ajudar a ganhar o jogo aqui no Haiti – acrescentou.

El Salvador

Após permanecer por pouco mais de seis horas no Haiti, Lula seguiu para El Salvador, onde permanecerá até o final da tarde desta quinta. É a primeira visita de um chefe de Estado brasileiro a

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