A Declaração de Brasília, resultado dos trabalhos da primeira Cúpula América do Sul - Países Árabes, defendeu a criação do Estado palestino independente, "com base nas fronteiras de 1967", que possa coexistir pacificamente com Israel. "O passado chegou ao final, estamos com uma visão de futuro", disse o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, ao final da reunião de cúpula. Com relação às crescentes tensões, ataques militares e atos terroristas no Oriente Médio, que "colocam em risco a paz regional e mundial", os signatários da Carta de Brasília reafirmaram apoio aos esforços das Nações Unidas em favor da retomada do processo de paz.
Árabes e sul-americanos conclamaram "as partes interessadas a empreenderem esforços no sentido de apoiar um processo negociador baseado nos princípios e nas normas fundamentais do Direito Internacional". Especificamente sobre o Iraque, a cúpula enfatizou a importância de não haver ingerências nos assuntos internos do país. Neste sentido, os chefes de Estado e de governo, além dos representantes das delegações, ressaltaram "a importância de respeitar a unidade, a soberania e a independência do Iraque e de não interferir em seus assuntos internos".
Na declaração, acrescentaram o respeito à vontade do povo iraquiano de decidir livremente seu futuro, como foi manifestado nas eleições de janeiro deste ano. As eleições naquele país, significaram "um passo decisivo rumo à transição pacífica de poder, com vistas ao estabelecimento de um governo democrático, constitucional e federal" e à conclusão do processo político", destacam os signatários da carta.
Os signatários condenaram expressamente as ações terroristas no Iraque, "que tem como alvo os civis, a infra-estrutura e o processo democrático". Reivindicaram, ainda, um papel mais relevante da Liga dos Estados Árabes no processo de reconstrução do Iraque e de suas instituições.
A sanções impostas à Síria, considerado pelos Estados Unidos como um dos países integrantes do "Eixo do Mal", também está na "Declaração de Brasília". Os representantes da América do Sul e dos países Árabes expressaram "profunda preocupação com as sanções unilaterais impostas à Síria pelo governo dos Estados Unidos da América". Eles acrescentam que tal atitude viola princípios do Direito Internacional e constitui "uma transgressão dos objetivos e princípios das Nações Unidas, na medida em que estabelecem um grave precedente nas relações entre Estados independentes".
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