O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou nesta terça-feira uma visita de dois dias a Moçambique, país que mantém com o Brasil relações cada vez mais fortes em vários setores, graças em parte ao uso comum do português como língua oficial. "Esta visita de Lula tem por objetivo impulsionar as relações de cooperação e amizade entre nossos países", informaram fontes governamentais de Moçambique.
Assim como ocorreu em Angola, a visita de Lula a este país africano tem um caráter simbólico: centenas de milhares de moçambicanos foram deportados como escravos para o Brasil entre os séculos XVII e XIX. "Com Moçambique, nossas relações bilaterais aumentaram sensivelmente nos últimos anos, graças principalmente à aproximação iniciada na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP)", segundo fontes governamentais brasileiras.
Os dois países integram esta comunidade de Estados lusófonos presidia este ano pelo Brasil.No âmbito internacional, Moçambique se uniu à postura brasileira, líder do chamado "Grupo dos 21", na quinta conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) realizada em Cancún, no México, em setembro passado.
Cerca de mil brasileiros vivem em Moçambique, de acordo com dados locais, mas a presença econômica do Brasil é muito fraca neste país africano. Durante esta visita do presidente brasileiro, será assinado um acordo bilateral para a exploração das minas de carvão de Moatize, na província de Tete (Noroeste). A companhia Vale do Rio Doce está interessada neste projeto, cujo custo gira em torno dos US$ 700 milhões.
No âmbito da saúde, o Brasil coopera com Moçambique há três anos na formação de pessoal médico. O presidente Lula anunciará também a doação de medicamentos genéricos e assinará um acordo para instalar uma fábrica de remédios antirretrovirais neste país africano para combater a aids.
A cooperação brasileira é muito ativa também nos âmbitos da educação e cultura, mas sua presença é mais forte na imprensa e religião. As telenovelas brasileiras registram um sucesso sem precedente, onde batem recordes de audiência a cada noite nas três emissoras locais.
Além disso, a Igreja Universal do Reino de Deus, controlada pelo bispo Edir Macedo, tem obtido um crescimento destacado em todas as classes da sociedade moçambicana nos últimos dez anos. Acredita-se que um milhão de pessoas freqüentam esta igreja pentecostal no país. Além disso, este grupo religioso possui uma emissora de rádio e uma rede de televisão chamadas Miramar, com uma programação com músicas religiosas e programas de entretenimento brasileiros.