O governo brasileiro e a Liga Árabe afastaram nesta segunda-feira motivos de preocupação em torno do encontro de cúpula de países sul-americanos e árabes a ser realizado em maio, uma vez que o único objetivo do encontro é estreitar laços econômicos entre as regiões.
"Não vejo razão para que norte-americanos ou outros estejam preocupados", disse a jornalistas o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Ele afirmou ainda que a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, não lhe transmitiu esse sentimento em recente conversa por telefone.
Fontes diplomáticas declararam à Reuters que representantes dos Estados Unidos e de Israel se mobilizaram nas últimas semanas, preocupados com a possibilidade de que a reunião vá escapar de seu propósito original e se converter em um foro para criticar o Estado judeu e as políticas de Washington para o Oriente Médio.
Amorim disse que o documento final da reunião, que está marcada para os dias 10 e 11 de maio em Brasília, tratará de questões econômicas, culturais e comerciais. Também se falará sobre assuntos como terrorismo e o processo de paz no Oriente Médio.
"Não difere de (posições no) foro das Nações Unidas", disse Amorim, que também declarou existir consenso entre árabes e sul-americanos sobre esses assuntos.
"Estamos expandindo os espaços de diálogo e quando se faz isso estamos expandindo o espaço da democracia".
O secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa, que se reuniu com Amorim em Brasília para preparar o evento, disse: "Somos contra as políticas de Israel, não contra Israel em si". Ele assegurou que a cúpula será para aumentar o comércio, a cooperação e os investimentos entre as duas regiões.
"A reunião não é contra ninguém. É pela cooperação entre dois grupos, entre duas grandes regiões, entre duas importantes economias", disse Moussa, que foi recebido pelo presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.
O encontro de presidentes árabes e sul-americanos é uma iniciativa do Brasil, cuja política externa tem como uma das metas um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas e na direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC).