"Porcos italianos, voltem para casa". Este grito, de um missionário italiano em uma praia de Fortaleza, é o que melhor sintetiza a revolta dos religiosos e das ONGs brasileiras contra o turismo sexual, que atualmente desencadeia prisões em série de agentes turísticos na Itália e na América do Sul.
- É fantástico que se comece a prender pessoas - disse o padre Renato Chiera, de 62 anos, já há 26 no Brasil, trabalhando nas favelas do Rio de Janeiro, e há 3 na linha de frente também em Fortaleza.
- É preciso dar um basta a esta tragédia. É revoltante ver homens com mais de 40 anos passeando com meninas por Fortaleza. São situações que me mortificam. Vou às praias para salvá-las, enquanto que há italianos - como eu, que estão lá para abusar delas. Certa vez, de tão revoltado, comecei a gritar.
Chiera tentou filmar informalmente os turistas sexuais na famosa orla de Fortaleza, avenida diante do Atlântico que, junto com a praia de Iracema e os seus bares, concentra a prostituição infantil numa das principais metrópoles do nordeste brasileiro.
As coisas começam a mudar também no Brasil, principalmente depois da cruzada contra o turismo sexual lançada pelo governo federal. Um italiano suspeito de pedofilia foi preso em Salvador, na Bahia, em 6 de dezembro passado. No mesmo período, dois vôos charter provenientes da Itália foram recusados pela polícia federal de Fortaleza: a bordo, só havia solteiros.
- Pela primeira vez, para este tipo de crime, Itália e Brasil começaram uma investigação conjunta. Juntos trabalhamos há meses com muito empenho e discrição, para conseguir desmascarar a vil exploração sexual de menores - disse Valensise.
O sacerdote de Verona Adolfo Serripiero, de 66 anos, que há 32 anos trabalha nas favelas brasileiras, também confirma que os tempos estão mudando.
essa prática no Brasil, por estarmos com uma política forte de repressão e de combate", explicou Costa. Na primeira fase da campanha, serão destinados R$ 3 milhões do orçamento do Ministério do Turismo.