Rio de Janeiro, 01 de Maio de 2026

Brasil e EUA chegam a um acordo para o fim de sanções

Terça, 22 de Novembro de 2005 às 11:35, por: CdB

O Brasil chegou a um acordo para retirar seu pedido à Organização Mundial do Comércio (OMC) de sanções de até US$ 1,037 bilhão por ano contra produtos dos Estados Unidos relacionadas ao caso dos subsídios ao algodão norte-americano. Segundo adiantou um diplomata brasileiro, em Genebra, foi conseguido um acordo para a suspensão do processo e uma carta conjunta dos dois países foi entregue à organização nesta terça-feira.

Ele afirmou que a ação do governo brasileiro tinha o objetivo de dar mais tempo para que os Estados Unidos adaptem suas políticas para o algodão às determinações da OMC, que deu razão ao Brasil em um processo que questionava as práticas dos EUA para o setor. Em julho, o governo brasileiro também já havia retirado outro pedido de sanções - desta vez de até US$ 3 bilhões - dando aos EUA o prazo até o fim do ano para reformar o sistema de créditos de exportação para o algodão, julgados ilegais pela OMC.

Segundo o diplomata, as duas medidas do governo brasileiro destinaram-se a adequar os calendários das duas questões e não significam que o país abriu mão de, em algum momento no futuro, voltar a pedir sanções, se for necessário.

- Poderemos analisar como as coisas estarão no início do ano que vem, por exemplo - afirmou o diplomata.

A OMC concluiu no início do ano que os subsídios aplicados ao setor de algodão pelos EUA, totalizando cerca de 4 bilhões de dólares por ano, infringiram as regras internacionais de comércio, reduzindo preços globais e causando prejuízo a produtores brasileiros.

As compensações às quais o Brasil teria direito se dariam na forma de tarifas extras sobre produtos norte-americanos vendidos ao Brasil. O governo brasileiro tem dito que os EUA pouco se movimentaram até o momento para reformar suas políticas para o algodão, enquanto a Casa Branca diz que tem realizado mudanças buscando adequar o setor às determinações da OMC.

O setor de algodão no Brasil, que financiou grande parte do processo na OMC, prefere que o governo pressione por mudanças nas leis norte-americanas, em vez de aplicar sanções, que não resultariam em lucros para o setor.

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