Oferta do Carrefour por Pão de Açúcar gerou reação visceral do grupo Casino
O Brasil é um ?eldorado? para o setor de supermercados, como indica a batalha de dois grandes grupos franceses em torno do brasileiro Pão de Açúcar, afirma nesta quarta-feira uma reportagem do jornal francês Le Figaro.
?O combate homérico? – nas palavras do jornal – entre os dois gigantes se justifica pelo fato de ambos estarem encontrando dificuldades no seu mercado de origem, ?cada vez menos e menos adaptado aos hábitos de consumo nos países de economias maduras?, nas palavras de um ex-diretor do Carrefour.
?Em contraste, o hipermercado é o formato é ideal para se beneficiar do crescimento dos países emergentes?, disse ele.
O Figaro sublinha que ?as perspectivas de crescimento no Brasil são imensas?.
?O país é o terceiro mercado alimentar do mundo, atrás dos Estados Unidos e da China e à frente da Índia. E até o momento, a distribuição moderna não representa senão metade do mercado?, destaca a reportagem.
‘Queda-de-braço’
A proposta de fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour, destaca o Le Monde , desperta a oposição visceral do grupo Casino, que divide o controle da rede brasileira com o empresário Abílio Diniz, em uma parceria que data de 1997.
O arquirrival francês do Carrefour ?não tem intenção de abrir mão? de importante presença no mercado brasileiro e portanto a batalha tem tudo para ser ?homérica?, destaca o Monde, ecoando as palavras do Figaro.
Se for concluída, a complexa operação colocaria os dois rivais na mesma empreitada, e ?faria nascer um gigante da distribuição, controlando 31,5% do terceiro mercado mundial em termos de gastos alimentares, com um volume de negócios de US$ 30 bilhões de euros?.
O diário econômico Les Echos antecipa uma dura ?queda de braço?. Para o jornal, o empresário Abílio Diniz, dono do grupo Pão de Açúcar, ?mais uma vez soube esconder o jogo?.
?Depois de negar por muito tempo a existência de negociações com o Carrefour, e ter esboçado uma tentativa de conciliação com Jean-Charles Naouri (presidente do grupo Casino), desta vez ele vai direto ao assunto?, diz o jornal.
?O objetivo: entrar no grande jogo, não na cena brasileira, mas internacional?, afirma o Les Echos.