O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta quinta-feira, no Palácio do Planalto, o presidente de Cuba, Raúl Castro. Eles se reuniram reservadamente para discutir cooperação nas áreas social, econômica e comercial e questões sobre a política regional. Em seguida, realizaram a assinatura dos atos programados. O chanceler Celso Amorim e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, estavam presentes à solenidade. Em seguida, Lula ofereceu um almoço em homenagem ao premiê cubano.
Na véspera, em congresso realizado na Bahia, Ao defender o fim do bloqueio econômico dos Estados Unidos a Cuba, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o embargo ainda persiste por simples "birra" dos norte-americanos. Lula afirmou ainda ter esperança que o novo presidente norte-americano, Barack Obama, mude a política externa em relação à América Latina e ao Caribe.
– Não consigo entender a permanência do bloqueio a Cuba, a não ser por birra. Eu não quero porque não quero e acabou – disse, depois do encerramento da Cúpula da América Latina e do Caribe.
No começo da noite, o Grupo do Rio oficializou a entrada de Cuba na instância internacional de países, aprovada em reunião ministerial no México, no dia 13 de novembro. O país não integra organismos multilaterais regionais desde os anos 1960, quando foi expulso da Organização dos Estados Americanos (OEA). Raúl Castro também participou da cúpula no litoral baiano. Sobre a política norte-americana para os países latino-americanos e caribenhos, Lula pediu prudência e diplomacia para aguardar qual postura será adotada por Obama, mas aposta em mudanças.
– Tenho esperança de que haverá mudança para melhor da política norte-americana para a América Latina e o Caribe – disse.
Em relação à crise financeira mundial, Lula afirmou que esse é o momento para os países das duas regiões adotarem medidas antes descartadas por pressão das nações ricas.
– Essa pode ser uma grande oportunidade para nós fazermos aquilo que deveríamos ter feito há 30, 40 anos, porque todo mundo ficava esperando que um país rico desse uma chance a um país pobre – previu Lula.
Nova América Latina
Lula também afirmou que está na hora da América Latina “exigir” uma discussão política com o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, para saber a relação que ele terá com a região.
– Está na hora da América Latina exigir uma discussão política com ele [Barack Obama] para saber qual a visão que ele vai ter na relação com a América Latina – cobrou.
Segundo o líder brasileiro, os presidentes da região não podem ser vistos como “um grupo de esquerdistas, todos revolucionários”.
– Não queremos mais Aliança para o Progresso como foi feito na década de 1960 com o Brasil, ele (Barack Obama) tampouco pode olhar para a América Latina como um grupo de esquerdistas, todos revolucionários, recebendo orientação de Cuba. Já não existe mais isso na América Latina – disse o presidente Lula.
Aos 33 mandatários presentes no encerramento da Cúpula da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento, realizada na Costa do Sauípe, Bahia, Lula afirmou que a esquerda que fazia luta armada nas décadas de 1960 e 1970 chegou ao poder na maioria dos países, ganhou as eleições e hoje está no governo.
Lula disse esperar que o presidente eleito dos Estados Unidos tenha outra visão sobre a Venezuela e que reestabeleça relações com Cuba.
– Espero que o Obama tome a decisão de reatar relações diplomáticas com Cuba. Não existe mais nenhuma explicação política, sociológica, nenhum analista do mundo, um psicólogo qualquer, entenderia porque ainda existe o bloqueio a Cuba. Será que é vingança? – questionou.
Lula destacou que, se os encontros realizados em Sauípe não tivessem apresentado avanços, já teria valido a pena pela entrada de Cuba no Grupo do Rio.
– Só o fato do Grupo do Rio ter aprovado a volta de Cuba às instituições e instâncias multilaterais já é um feito inusitado, porque os que presidiram os países antes de nós não tiveram coragem de colocar Cuba no Grupo do Rio – concluiu.