Rio de Janeiro, 30 de Setembro de 2026

Brasil é citado em relatório como produtor das bombas de fragmentação

Sexta, 29 de Maio de 2009 às 10:07, por: CdB

Ao menos 17 países, entre eles o Brasil, continuam produzindo "em certo grau" bombas de fragmentação - que lança diversos fragmentos explosivos quando acionada - segundo um relatório apresentado nesta sexta-feira por organizações de defesa dos direitos humanos. Além do Brasil, também foram citados China, Israel, Rússia e Estados Unidos. O uso de bombas de fragmentação, usadas para causar grande número de vítimas, é proibida pela Convenção sobre Bombas de Fragmentação, assinada há seis meses por 96 países, dos quais, por enquanto, apenas sete a ratificaram.

O texto proíbe o uso, produção e transferência dessas armas, determina a destruição das reservas em um prazo de oito anos e sua remoção das zonas afetadas depois de dez anos, no máximo. O representante da Human Rights Watch (HRW), Steve Goose, afirmou que a produção deste tipo de armamento no Brasil é uma de suas maiores decepções.

– Não vemos uma razão pela qual não deveria ser um dos signatários desta convenção. Há poucos [países] nas Américas que não tenham se incorporado a esta convenção. O Brasil foi um produtor e exportador importante no passado, inclusive no passado não tão distante, e se reservou o direito de produção. Não sabemos se novas bombas de fragmentação estão saindo das linhas de produção ou não – disse.

Segundo Goose, a justificativa do Brasil para não assinar o acordo internacional foi a importância econômica da indústria de armas.

– Mas é difícil acreditar que os níveis de rentabilidade que podem obter de exportações de bombas de fragmentação sejam tão grandes – criticou Goose.

Ele sugere que a rejeição ao texto da convenção "tem mais a ver com uma política de grande potência e o desejo de manter sua existência para um potencial uso futuro".

– O mercado de exportação destas bombas está secando cada vez mais – explicou.

Mais de 13 mil pessoas são vítimas confirmadas de bombas de fragmentação, segundo os mais recentes números publicados pela organização Handicap International. A organização argumenta ainda que os números são muito conservadores já que há um sub-registro deste problema que atinge dezenas de milhares.

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