Rio de Janeiro, 15 de Abril de 2026

Brasil e Bolívia chegam a um acordo sobre questão do gás

"Muita fumaça e pouco fogo". Assim o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, classificou a disputa pelo gás boliviano, após encontro com o presidente da Bolívia, Evo Morales, neste sábado, em Viena, durante reunião dos países latino-americanos, caribenhos e europeus. O presidente boliviano acusou a mídia de promover o desentendimento entre os dois países. (Leia Mais)

Sábado, 13 de Maio de 2006 às 08:54, por: CdB

Depois da reunião com o presidente da Bolívia, Evo Morales, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi objetivo quanto à repercussão oferecida ao episódio dos discursos nacionalistas que roubaram a cena durante o encontro de nações latino-americanas, caribenhas e européias, que se encerrou neste sábado.

- Tinha muita fumaça e pouco fogo. Eu disse ao presidente Evo Morales que o Brasil precisa do gás da Bolívia e a Bolívia precisa vender o gás para o Brasil, portanto eu preciso encontrar o ponto de equilíbrio justo para que o Brasil fique satisfeito e a Bolívia fique satisfeita - disse Lula.

Ele afirmou que, tanto ele quanto seu colega boliviano, compreendem que a única chance de desenvolver a América Latina é "ter paz".

- Eu acho que, tendo essa compreensão, não teremos problema nenhum no nosso continente. E nós temos que ter clareza que é preciso parar na América Latina de um

presidente ficar culpando o mundo pela pobreza do seu país - disse Lula.

Lula ainda fez referência a um comentário do presidente boliviano nesta semana de que o país teria sido explorado por 500 anos.

- Acho que se a gente pensar no século 21, a gente pode dar um salto de qualidade. Se a gente ficar remoendo o passado, na verdade nós não andaremos - afirmou.

Racionalidade

Após o encontro com Lula, o presidente Evo garantiu  "racionalidade" nas discussões sobre possíveis aumentos no preço do gás que seu país exporta ao Brasil. Com isso os chefes de Estado brasileiro e boliviano optaram por "virar a página de mal entendidos", conforme disse o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim. O

encontro entre ambos, neste sábado, foi descrito pelo lado boliviano como "cordial e com enormes coincidências". Evo destacou ainda que tem "interesse em aumentar o volume de exportações (de gás) ao Brasil e a outros países".

Ao ser questionado sobre se deseja aumentar os preços do gás, Evo respondeu com uma pergunta:

- Quem não quer melhorar sua situação econômica?

No entanto, ele explicou que "os preços (de gás) devem ser levados em conta racionalmente, (de maneira) que beneficie o Brasil, que beneficie a Bolívia". O presidente boliviano acrescentou que "há uma comissão de ministros" dos dois países negociando para fixar novas regras para o setor de energia da Bolívia depois da nacionalização, e disse que essa "comissão técnica" é que cuida da questão dos preços.

Morales também culpou os meios de comunicação por deturparem suas declarações a respeito da Petrobras.

- Estamos sendo vítimas de meios de comunicação que buscam nos confrontar. Não vão conseguir. Somos grandes aliados - afirmou.

Segundo o chanceler brasileiro, a reunião de Lula com Morales "recriou um clima de confiança e de diálogo" e afirmou que as futuras negociações com a Bolívia serão feitas sobre "a base de documentos firmados". Ele também apontou que Morales disse a Lula não ter feito declarações ofensivas sobre a Petrobras. Segundo o chanceler, o presidente boliviano visitará o Brasil em breve, ao que Evo retribuiu:

- Na Bolívia, temos muito interesse que o presidente do Brasil nos visite. Tenho muita vontade de ver futebol com o presidente brasileiro.

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