O co-presidente brasileiro das negociações para a formação da Alca disse que o projeto para eliminar a partir de janeiro de 2005 as barreiras comerciais em 34 países do hemisfério corre riscos, devido a uma postura "intransigente" dos Estados Unidos nas discussões.
Adhemar Bahadian afirmou que o prazo de janerio de 2005 para a conclusão da Área de Livre Comércio das Américas não é "sagrada" nem "imutável".
Ele acrescentou que o Brasil não aceitará um acordo que implique renunciar a uma política industrial autônoma.
"Existe um sério risco adiante, que é justamente a intransigência na posição dos Estados Unidos e aliados na questão da agricultura e de acesso a mercados, buscando forçar divisões e concessões tanto no Mercosul como internamente no Brasil", disse ele.
Os comentários dele foram feitos na noite de quarta-feira a uma comissão do Senado brasileiro sobre o estado das negociações para a Alca.
As declarações do diplomata ocorrem poucos dias depois de uma reunião de negociadores da Alca em Puebla, no México, terminarem em um impasse devido a diferenças do Brasil e de seus sócios do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) com países caribenhos e com um grupo de nações lideradas pelos Estados Unidos.
Bahadian, que divide com os Estados Unidos a presidência das negociações até 2005, disse que um novo encontro será realizado em Puebla, entre os dias 17 e 19 de março, para tentar avanços e que talvez antes desse encontro seja realizada uma reunião com um número menor de países para evitar um colapso nas negociações.
Bahadián afirmou também que para o Brasil, interessado em obter um acesso melhor para seus produtos no mercado norte-americano sem ter que se submeter às regras sobre propriedade industrial, a Alca "não é um fim que deve ser alcançado a qualquer preço".
"Não se trata de anti-americanismo nem de ter uma posição ideológica. Reivindicamos ter uma política industrial. Não estou disposto a hipotecar o futuro dos meus netos", disse ele.
O diplomata também questionou as vantagens de se assinar pactos de livre comércio bilaterais com os Estados Unidos já que, explicou, parece "ser uma ilusão a tese" de que mais concessões em questões que interessam Washington gerariam mais benefícios em áreas como o acesso da agricultura aos mercados.