Rio de Janeiro, 21 de Março de 2026

'Brasil deve manter política externa com poucas alterações'

A política externa brasileira não deve sofrer mudanças profundas no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em relação à forma como se desenvolveu nos últimos quatro anos. A análise é do professor de Ciências Políticas Antonio Carlos Peixoto, da Universidade do Estado do Rio de janeiro (Uerj). (Leia Mais)

Domingo, 05 de Novembro de 2006 às 09:52, por: CdB

A política externa brasileira não deve sofrer mudanças profundas no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em relação à forma como se desenvolveu nos últimos quatro anos. A análise é do professor de Ciências Políticas Antonio Carlos Peixoto, da Universidade do Estado do Rio de janeiro (Uerj).

Ele lembrou que entre as três linhas desenvolvidas na política externa brasileira está a que se refere à revisão das pautas de comércio - o Brasil se colocou contrário aos subsídios às exportações e aos subsídios internos, que estimulam, por meio de dotações governamentais, a produção de bens.

Segundo Peixoto, isso ocorre principalmente na agricultura da União Européia e dos Estados Unidos, onde os produtores podem vender por um valor mais baixo, compensado com o que recebem dos governos pela diferença de preços.

- É um conflito aberto de muitos países nestas práticas injustas, que prejudicam boa parte do mundo. Essa linha vem enfrentando resistências e se deparando com obstáculos, em especial na rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio, no Catar, onde se iniciaram estas conversações - disse.

Em entrevista ao programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional, o professor ressaltou que nesse caso, embora já tenha ocorrido uma vitória parcial, com o compromisso dos países que subsidiam as exportações de acabar com a compensação a partir de 2013, ainda falta a parte mais importante: a que se refere à produção.

- Os subsídios atingem quase US$ 1 bilhão por dia, gastos pelos Estados Unidos e pela União Européia. Estamos nessa luta, continuamos discutindo, temos alianças com outros países emergentes e se não estão andando na rapidez que queríamos, pelo menos, estão andando - afirmou.

Peixoto destacou como outra linha desenvolvida na política externa a luta por um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

- Acho que o Brasil vai jogar menos no protagonismo e se concentrar mais na questão do Conselho de Segurança, que não é fácil, mas já há declarações simpáticas, e diminuir a disputa por outros cargos em outras dessas organizações - disse.

Na avaliação do professor, o governo brasileiro terá ainda uma política específica com relação ao Mercosul e à integração  do continente:

- A intenção da União Sul-Americana é evitar a questão das tarifas, que será muito espinhosa. Não se pode dizer nem ao Chile, nem à Colômbia, que organizem as tarifas, no que diz respeito aos Estados Unidos, e uniformizem de acordo com o Mercosul. A idéia da integração sul-americana é de uma área de livre comércio, ou seja, entre os países da região vão vigorar tarifas de importação de uns países em relação aos outros. Mas área de livre comércio é um estágio inicial e terá que se desenvolver - com isso, estarão em evidência os acordos bilaterais com os Estados Unidos - lembrou.

E a terceira linha a ser tratada, segundo Peixoto, deverá levar em conta a política externa do presidente venezuelano Hugo Chávez, com destaque para o acordo de defesa, que prevê a construção de bases militares na fronteira com o Brasil.

- Se as coisas sempre andaram direito, o Brasil nunca invadiu a Bolívia, com base e nem sem base, então para quê isso? É um dos problemas que a diplomacia brasileira vai ter que enfrentar - concluiu.

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