A Líbia é a última etapa do giro do presidente por cinco países árabes, que começou na semana passada.
A empresa mineira Exeter, por exemplo, espera que o presidente consiga tirar do papel um contrato já assinado para a construção de 20 mil apartamentos residenciais.
Segundo o governo brasileiro, o negócio está acertado, mas ainda precisa ser operacionalizado e, na verdade, liberado pelo presidente do país, Muammar Kadafi.
As negociações começaram no governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso, mas ficaram paradas depois que o financiamente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que poderia ser usado no negócio, acabou não se concretizando.
Aviões e minério
Outra empresa que espera resultados é a Embraer. A companhia tem utilizado a viagem para explorar novas oportunidades e acredita que a Líbia possa se interessar por seus aviões.
A Samarco, que vende minério de ferro e é em parte controlada pela Vale do Rio Doce, também está comemorando a viagem. O minério de ferro é hoje o principal produto brasileiro de exportação para a Líbia, e a Samarco é a principal empresa envolvida nessa venda.
A empresa está renovando um contrato de cinco anos para a venda do minério à Líbia. O valor do negócio é de US$ 25 milhões por ano.
O Itamaraty reconhece que o atual comércio com a Líbia é muito pequeno. O Brasil vende US$ 50 milhões ao país de Kadafi anualmente. "Esse número pode crescer muito", afirma o diretor do departamento da África do Itamaraty, embaixador Pedro Motta Pinto Coelho.
Segundo o embaixador, nos anos 80, o Brasil chegou a ter um fluxo comercial com a Líbia de US$ 2 bilhões por ano. Este fluxo caiu gradativamente com o isolamento líbio provocado pelas sanções da ONU (Organização das Nações Unidas) por causa do suposto envolvimento do país com "atentados terroristas". Repetir isso, na opinião de Pinto Coelho, será difícil. Mas o crescimento "pode ser grande".
Além da construção civil e dos aviões, o Itamaraty acredita que há a possibilidade de bons negócios nas áreas de alimentação, automotiva e de petróleo, pelo menos.