Surpresos, mas já resignados com a nova diretriz do Banco Central (BC), que baixou a Selic de 12,5% para 12% ao ano na última reunião do pelo Conselho de Política Monetária do BC (COPOM), analistas do mercado estão trabalhando em dobro para recalcular novos cenários. Os de agora têm como pano de fundo um Brasil que poderá voltar a ter juro de um dígito em breve.
Usando modelos de previsão semelhantes aos adotados pelo Conselho de Política Monetária do BC (COPOM), alguns economistas prevêem uma Selic abaixo de 10% ao ano no início de 2012. E avaliam que se o cenário internacional se deteriorar, a taxa poderá cair rapidamente algo próximo de 5%. Nesse domingo, o Estadão trouxe a opinião de vários desses especialistas financeiros. Em seus cálculos, agora levam em conta o aumento da dose da influência da crise global, a promessa do governo de rigor com os gastos, e a “ousadia” do BC.
Chama a atenção o cenário desenhado pelo Credit Suisse: para o banco, a Selic deve cair de 12% para 9% em dezembro - 1,5 ponto a cada uma das duas próximas reuniões do COPOM, em outubro e novembro. Em janeiro de 2012, os juros recuariam para 8,5%.
Oportunidade ímpar
Na verdade, a mudança na política de juros do BC sinaliza a tomada da consciência de que a crise mundial vai se agravar e que ela não é apenas um desafio para o Brasil, mas uma oportunidade única, neste início do século, para colocar o Brasil no patamar de país desenvolvido antes de 2022.
Aos duzentos anos de nossa independência, a partir de uma redução dos juros de fato e consistentemente - com impactos diretos no serviço da dívida - e um aumento substancial dos investimentos em educação, chegaremos ao desenvolvimento.
Até lá, no entanto, é preciso acelerar as mudanças já iniciadas, a exemplo do aumento extraordinário dos investimentos públicos em educação, em pesquisas e em inovação. E da exigência para que as empresas façam, do seu lado, maiores investimentos nessas áreas, bem como em infraestrutura.
Revolução educacional de científica
Assim, ao combinarmos investimentos públicos e os investimentos em concessões, será possível avançarmos de forma decisiva nas três prioridades do país nos próximos 5 a 10 anos: uma revolução educacional e científica, assim como a construção de uma infraestrutura à altura da quinta economia do mundo – ou, mesmo, da terceira.
Rio de Janeiro, 31 de Outubro de 2026
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