A economia brasileira cresceu 1,9% no segundo trimestre frente ao início deste ano, confirmando que saiu da recessão técnica e mostrando uma melhora no desempenho da indústria e firmeza do consumo interno. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, no entanto, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 1,2%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira.
Economistas consultados pela agência inglesa de notícias Reuters previam expansão de 1,6% na comparação trimestral, segundo a mediana de 20 estimativas que variaram de 0,7 a 2,2%. Na comparação com 2008, a mediana das projeções apontava queda de 1,5%.
– A indústria está caindo bastante em relação ao ano passado, mas está recuperando na margem. A parte de serviços vem sustentando bem o crescimento. A parte de consumo das famílias vem crescendo forte, em função da massa salarial crescendo – afirmou Flávio Serrano, economista sênior do Bes Investimentos.
A partir dos dados, alguns analistas começam a considerar um desempenho melhor da economia brasileira no ano.
– Essa recuperação na margem significa que o PIB pode ficar mais perto de zero em 2009, talvez até positivo, que é o cenário com o qual a gente já vem trabalhando, com expansão de 0,2% no ano – disse Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.
O último relatório Focus, com projeções de cerca de 100 instituições financeiras coletadas pelo Banco Central, já reduziu para 0,16% a estimativa de queda do PIB neste ano. Levando em conta os dados do segundo trimestre deste ano frente ao primeiro, o maior destaque foi a indústria – com crescimento de 2,1%. Serviços avançaram 1,2%, enquanto a agropecuária recuou 0,1%.
A formação bruta de capital fixo, uma medida dos investimentos, permaneceu estável nessa comparação. O consumo das famílias aumentou 2,1% e o do governo teve variação negativa de 0,1%.
Investimento
Frente ao mesmo trimestre do ano passado, a indústria despencou 7,9% e a agropecuária caiu 4,2%, enquanto serviços avançaram 2,4%. A formação bruta de capital fixo desabou 17,0% – pior desempenho da série histórica do IBGE, com início em 1996. O IBGE informou também que a taxa de investimento no segundo trimestre ficou em 15,7% do PIB e a de poupança, em 15,0% do PIB. No primeiro semestre do ano, a economia brasileira encolheu 1,5%. Já no acumulado em 12 meses, o PIB teve expansão de 1,3% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.
O IBGE revisou para baixo o desempenho do PIB no primeiro trimestre deste ano em relação ao final do ano passado (de queda de 0,8% para baixa de 1,0%) e também alterou o desempenho no quarto trimestre de 2008 frente ao período imediatamente anterior (de contração de 3,6% para 3,4%).