Rio de Janeiro, 24 de Outubro de 2026

Brasil define teto para subsídios nos EUA em US$ 13 bilhões

Quarta, 23 de Julho de 2008 às 08:48, por: CdB

Os subsídios agrícolas concedidos pelos Estados Unidos não podem passar de US$ 13 bilhões, segundo consta do texto atual das negociações da Rodada Doha. Essa foi a proposta gravada pelo Brasil durante a reunião que a Organização Mundial do Comércio (OMC) realiza esta semana, em sua sede, em Genebra, com objetivo de destravar o comércio global, informou nesta quarta-feira a agência inglesa de notícias BBC.

- Poderíamos iniciar negociações se eles chegarem ao nível mais baixo contemplado. Dentro do politicamente viável, US$ 13 bilhões se aproxima do razoável - afirmou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ao deixar a sede OMC, em Genebra, depois de um longo dia de reuniões.

Pela manhã, segundo a BBC, a negociadora comercial norte-americana, Susan Schwab, melhorou sua oferta de corte da ajuda doméstica para US$ 15 bilhões - a anterior era de US$ 17 bilhões -, mas Amorim recordou que o G20 pedia um corte para US$ 12 bilhões.

Segundo o chanceler, a reunião desta quarta-feira serviu para um intercâmbio de explicações entre os diferentes negociadores.

- Mostramos (aos Estados Unidos) que a proposta é o mesmo que duas vezes o que eles gastaram este ano e mais ou menos US$ 2,5 bilhões mais que a média (dos subsídios concedidos) desde 2002, incluindo 2008 - disse.

Ele comparou a oferta de Schwab a uma jogada de futebol americano:

- Eles lançaram a bola, mas não suficientemente longe.

No capítulo de bens industriais, foi o Brasil quem deu explicações sobre as limitações que enfrenta para fazer novas concessões.

- A cobrança é nossa, de que as pessoas têm que entender o que a gente quer dizer - afirmou o chanceler.

E a mensagem, segundo ele, é clara:

- Cláusula de anti-concentração é uma má idéia.

Essas cláusulas, que os países mais ricos querem incluir no acordo, limitariam o nível de flexibilidade com o qual os países em desenvolvimento poderiam proteger determinados setores da indústria na hora de aplicar os cortes de tarifas. Para Amorim, a intensidade do dia de reuniões é um bom sinal da disposição geral para se chegar a uma conclusão.

- Alguns podiam ter ido embora, mas todo mundo continuou aqui negociando.

Os sócios da OMC continuarão expondo suas dificuldades e possibilidades de avanço na jornada desta quinta-feira, que promete ganhar novo fôlego com a chegada do ministro indiano de Comércio, Kamal Nath.

Tags:
Edições digital e impressa