A Confederação Nacional da Indústria (CNI) previu nesta terça-feira que a economia brasileira terá uma recessão no início de 2009 mas fechará o ano com crescimento de 2,4%.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles avaliou a projeção como "um pouco pessimista", sem explicitar qual seria sua previsão.
- Eu acredito que sim, é um pouco pessimista - disse Meirelles a jornalistas quando questionado sobre o assunto. "Mas vamos aguardar a previsão do Banco Central e aí poderemos falar com mais precisão."
O BC divulgará sua projeção para o Produto Interno Bruto de 2009 na próxima segunda-feira, quando publica seu último relatório de inflação do ano.
Para a CNI, a economia brasileira registrará retração no último trimestre deste ano na comparação com o período anterior, de 1,5%, e nova queda de 1,1% no primeiro trimestre de 2009 - o que caracterizará uma recessão técnica.
- O cenário para a economia brasileira mudou radicalmente com a eclosão da crise mundial - disse a entidade em informe conjuntural.
- Originada na maior economia do mundo, a crise se propagou de forma intensa e contaminou as economias de todos os países - afirmou.
Em 2009, o consumo das famílias deve cair pela metade na comparação com 2008, mas ainda liderará o crescimento do país, com alta de 3%.
A formação bruta de capital fixo, uma medida dos investimentos, terá forte desaceleração, crescendo 3,0% em 2009 depois da expansão de 14,4% projetada para 2008.
A CNI atribuiu esse movimento à redução da demanda e do acesso ao crédito, à desvalorização do real e à maturação dos investimentos já em curso.
Os dois principais desafios do Brasil no contexto atual são, segundo a CNI, restabelecer as condições de crédito e desenvolver um novo padrão de financiamento do crescimento em uma economia mundial com menos liquidez e mais aversão a risco.
- O papel do Estado será crítico nessa nova fase - disse a CNI.
- É essencial um papel mais ativo do Estado no provimento da infra-estrutura, com a priorização dos investimentos públicos. Destaque-se também a importância dos mecanismos regulatórios capazes de atrair o investimento privado - afirmou.