O Governo brasileiro concedeu asilo político a três ativistas de esquerda paraguaios processados em seu país por suposto seqüestro, informaram neste sábado, fontes do partido político ao qual pertencem.
O Movimento Pátria Livre (MPL), um pequeno movimento político paraguaio, comunicou hoje que Brasília decidiu no dia 1 de dezembro conceder a seus dirigentes Juan Arrom, Anúncio Martí e Víctor Colmán os privilégios que a legislação internacional prevê a refugiados.
-O Brasil decidiu reconhecer a condição de refugiados políticos aos dirigentes do Partido Arrom, Martí e Colmán e, assim, lhes concedeu proteção suficiente para que residam livremente em seu território de acordo com a norma de convenção das Nações Unidas sobre o estatuto dos refugiados-afirmou em entrevista coletiva Omar Martínez, secretário do MPL.
Os três dirigentes da Pátria Livre desapareceram em agosto passado, uma semana antes de começar o julgamento oral aberto pelo seqüestro de María Edith Bordón de Bernardi -mulher de um rico empresário paraguaio- do qual são acusados.
Arrom e Martí, seqüestrados e torturados provavelmente por um grupo parapolicial em janeiro de 2002, denunciaram através de seus advogados a falta de garantias para comparecer à Justiça.
Os dois dirigentes do MPL foram seqüestrados e libertados com sinais de tortura, em um caso que levou à renúncia de dois ministros, três chefes de Polícia e à crítica da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que pediu ao governo paraguaio, então presidido por Luis González Macchi, que adotasse medidas para garantir a segurança dos suspeitos.
Martínez disse hoje que o Brasil concedeu status de refugiados aos ativistas após conhecer seus antecedentes e obter os relatórios sobre sua "verdadeira situação" no Paraguai.
-(A decisão) é uma demonstração clara do avanço da luta democrática do continente e se emoldura na melhor tradição e consciência internacional de proteção aos direitos humanos e no direito dos cidadãos a organizar-se livremente para defender uma ideologia diferente à sustentada pelos governos da oligarquia- acrescentou.
O secretário do Pátria Livre aproveitou para condenar "a prática do terrorismo de Estado, promovida por setores oligárquicos e mafiosos infiltrados no poder, dirigidos pelo procurador-geral do Estado, Oscar Latorre", no Paraguai.
Depois de quase dois meses de julgamento oral, algo sem precedentes na história judicial do país, em outubro passado o tribunal condenou a oito anos de prisão três pessoas que estariam envolvidas no seqüestro de Bordón. No entanto, o processo contra Arrom, Martí e Colmán continua aberto.
Brasil concede asilo político a ativistas paraguaios de esquerda
Sábado, 06 de Dezembro de 2003 às 12:49, por: CdB