O Banco Central (BC) revisou a projeção para o déficit de todas as transações do Brasil com o exterior (transações correntes) neste ano de US$ 3,5 bilhões para US$ 12 bilhões. A informação consta na nota do Setor Externo, divulgada nesta segunda-feira, pelo BC. Em fevereiro, o saldo das transações correntes, que englobam a balança comercial, serviços e rendas e transferências unilaterais, ficou negativo em US$ 2,090 bilhões. No mês anterior, o saldo negativo foi de US$ 4,232 bilhões, o que levou a um déficit acumulado de US$ 6,322 bilhões. No mesmo período do ano passado, o resultado foi positivo em US$ 7 milhões.
A balança comercial ficou positiva em US$ 882 milhões em fevereiro. A conta de rendas e serviços (remessas de lucros, dividendos e juros aos exterior e gastos com viagens internacionais) fechou o mês com déficit de US$ 3,293 bilhões. As transferências unilaterais correntes ficaram positivas em US$ 321 milhões. O Banco Central mudou a projeção para o saldo da balança comercial em 2008: de US$ 30 bilhões para US$ 27 bilhões. A projeção para as vendas externas passou de US$ 172 bilhões para US$ 182 bilhões, e a das importações, de US$ 142 bilhões para US$ 155 bilhões.
Para a conta de rendas e serviços a projeção de déficit subiu de US$ 37,7 bilhões para US$ 42,8 bilhões, e para as transferências unilaterais, de US$ 3,8 bilhões para US$ 4,2 bilhões. Os investimentos estrangeiros diretos (aqueles que se destinam aos setores produtivos da economia) ficaram em US$ 890 milhões no mês, contra o resultado de US$ 70 milhões do mesmo período do ano passado. Para o ano, a previsão para este ano foi revisada de US$ 28 bilhões para US$ 32 bilhões.
Redução em curso
Os analistas de mercado reduziram a projeção para o saldo da balança comercial (exportações menos importações) de US$ 29 bilhões para US$ 28,77 bilhões em 2008. A estimativa consta do boletim Focus, publicação semanal do Banco Central, elaborada com base em pesquisa realizada semanalmente com analistas de 100 instituições financeiras sobre os principais indicadores da economia.
Com a quedar do dólar, as importações têm crescido em ritmo maior do que as exportações, o que gera redução no superávit comercial. Na publicação divulgada nesta segunda-feira, os analistas mantiveram a projeção do dólar ao custo de R$ 1,75, ao final do ano, e de R$ 1,70 para este mês e abril. Para o saldo em conta corrente, que envolve todas as transações comerciais e financeiras com o exterior, a projeção de déficit para o ano subiu de US$ 9 bilhões para US$ 9,75 bilhões. Para o próximo ano, a estimativa para o déficit também subiu, passando de US$ 12,08 bilhões para US$ 13 bilhões.
Quanto ao investimento estrangeiro direto, a projeção subiu de US$ 29 bilhões para US$ 30 bilhões no ano, com manutenção da estimativa para o próximo ano em US$ 25 bilhões. Com relação ao crescimento da produção industrial, a projeção subiu de 5,06% para 5,14% neste ano e não sofreu alteração para 2009 (4,50%). Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, a projeção é mantida há 13 semanas em 4,5% em 2008. Para 2009, a estimativa não foi alterada e está em 4%.
Os analistas também não mudaram a projeção para a relação entre dívida e PIB, que está em 41,60% há quatro semanas. Outra estimativa inalterada é a da taxa básica de juros (Selic), que, na opinião dos analistas de mercado, deve fechar o ano no atual patamar de 11,25%. Para 2009, também foi mantida a projeção de 10,50%.
Queda na balança
A balança comercial brasileira registrou na terceira semana de março saldo de US$ 187 milhões. As exportações foram de US$ 2,34 bilhões e as importações de US$ 2,15 bilhões. No acumulado do ano, o saldo comercial subiu para US$ 2,38 bilhões, com vendas externas de US$ 35,1 bilhões e importações de US$ 32,7 bilhões.
Em comparação com março de 2007, as importaç