Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Brasil, China e Índia sofrem pressão para controlar aquecimento

Segunda, 13 de Dezembro de 2004 às 20:51, por: CdB

Os países industrializados querem que países subdesenvolvidos que crescem rapidamente, como Brasil, China e Índia, "limpem" as práticas industriais e agrícolas que os colocaram entre os maiores poluidores do mundo.

A China é o segundo maior emissor mundial dos gases do efeito estufa, atrás apenas dos Estados Unidos, graças ao boom industrial baseado na energia a carvão. O Brasil ocupa o sexto lugar na lista de emissores de carbono, devido às queimadas florestais, e a Índia, que também usa o carvão para produzir energia, está em quinto lugar.

Na conferência da ONU sobre aquecimento global, que vai até dia 17, em Buenos Aires, negociadores e ativistas tentam atrair os países em desenvolvimento para o próximo estágio do programa de redução de emissões de carbono, que vai substituir o Protocolo de Kyoto, em vigor até 2012.

Os países subdesenvolvidos foram poupados das exigências do Protocolo de Kyoto, de 1997, porque argumentavam que a redução das emissões de poluentes prejudicaria seu crescimento econômico. Essa exclusão foi uma das razões que levaram os Estados Unidos a abandonar o programa, em 2001.

Mas, entre 1990 e 2000, as emissões de dióxido de carbono relativas à produção de energia cresceram 69 por cento na Índia, 57 por cento no Brasil e 33 por cento na China.

"Se Índia, China e Brasil replicarem nosso padrão de desenvolvimento baseado em combustíveis fósseis, o jogo acabou", disse Alden Meyer, diretor da Union of Concerned Scientists (UCS), dos Estados Unidos.

Steve Sawyer, do Greenpeace, disse que esses países precisam "descarbonizar" suas economias e buscar fontes de energia mais limpas e indústrias mais eficientes. "Essa será uma das principais características do regime pós-2012", disse ele.

A China e o Brasil deram um passo nesse sentido ao apresentar conjuntamente em Buenos Aires seus inventários de emissões de gases do efeito estufa. A Índia já havia feito isso há seis meses.

Na apresentação de sexta-feira, Joke Waller-Hunter, secretário-executivo do órgão da ONU responsável pelo combate ao aquecimento, disse que Brasil e China são "dois pilares do nosso processo de mudança climática".

Mas os países em desenvolvimento devem se unir para combater qualquer iniciativa internacional que prejudique seu crescimento e o combate à pobreza.

O ministro de Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, disse na semana passada que a responsabilidade de conter "substancialmente" o aquecimento global recai sobre os países ricos.

Os diplomatas na Argentina debatem agora como incentivar os países subdesenvolvidos a participarem de um acordo pós-Kyoto. Reduções de emissões, como os 5 por cento sobre os níveis de 1990, previstos pelo protocolo até 2012, devem afastar esses países, bem como sanções.

Ativistas dizem que a União Européia, líder nas negociações sobre as mudanças climáticas, tem a chave para atrair os países pobres para o programa. "A UE precisa engajar esses países e deixar claro que não está tentando impor medidas que prejudiquem suas economias", disse Meyer.

A anfitriã Argentina e a UE defendem um acordo específico para os países subdesenvolvidos -- um pacote de incentivos financeiros e transferências tecnológicas para promover a adaptação às mudanças climáticas.

Esse pode ser um dos poucos avanços nesta conferência, marcada pela recusa norte-americana em participar do protocolo de Kyoto, que entra em vigor em fevereiro, e de qualquer negociação sobre o que fazer a partir de 2012.

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