Rio de Janeiro, 22 de Outubro de 2026

Brasil busca mostrar força para defender pré-sal

Sexta, 15 de Agosto de 2008 às 16:20, por: CdB

Um exercício militar que "bem poucos países" têm capacidade de fazer será iniciado em pouco menos de um mês na região das recentes descobertas petrolíferas do pré-sal. Um dos principais objetivo, segundo um dos oficiais que coordena a operação, é mandar um claro sinal de que o Brasil está pronto para se defender.

Ao custo de 20 milhões de reais, a Operação Atlântico será realizada entre os dias 12 e 26 do mês que vem nas regiões das bacias de Santos, do Espírito Santo e de Campos e simulará uma situação de confronto em que a infra-estrutura da indústria petrolífera do país será alvo de um inimigo fictício.

- Isso não é uma despesa, isso é um investimento. É como se fosse um seguro - disse à Reuters o almirante Edlander Santos, subchefe de operações do Comando de Operações Navais da Marinha, força que comandará o exercício bélico.

- Normalmente todos fazem seguro do carro e não fazem seguro da casa. Esse é o seguro da casa - acrescentou.

Serão mobilizados 9 mil militares, cerca de 20 navios, entre 40 e 50 aeronaves, submarinos, um "número expressivo" de lanchas e 250 viaturas militares, entre caminhões de transporte, blindados e carros de combate. Mas a manobra não contará com porta-aviões.

O pré-sal é uma área que se estende por 800 quilômetros, do Espírito Santo a Santa Catarina, e pode conter bilhões de barris de óleo equivalente (boe). Somente no campo de Tupi, na bacia de Santos, a reserva estimada pela estatal é de entre 5 e 8 bilhões de boe.

Segundo o almirante Edlander, serão feitas diversas simulações durante a manobra militar.

- Nós teremos ataques a pontos centrais da infra-estrutura logística localizados na área de Macaé (RJ) e de São Sebastião (SP). Teremos a defesa das três bacias petrolíferas - disse.

- Isso é um grande exercício envolvendo as outras forças, não só no mar, mas também gasodutos, oleodutos, pontos estratégicos - afirmou.

Uma manobra como a Operação Atlântico não é corriqueira, por conta de sua magnitude. No ano passado, lembrou o militar, foi realizado um exercício de defesa do setor petrolífero, mas "ele se concentrou na área de Campos".

- (A descoberta do pré-sal) foi uma feliz coincidência. Nós já tínhamos decidido ampliar o exercício e veio a descoberta do pré-sal - disse.

Recado Interno

A Operação Atlântico também servirá para que seja feita uma avaliação das necessidades das Forças Armadas para proteger a infra-estrutura petrolífera do país. No planejamento da manobra, segundo o alimirante, já foram detectadas algumas carências que precisam ser resolvidas.

- Nós precisamos incrementar a aquisição de navios-patrulha. Estamos construindo alguns poucos. Para você ter uma idéia, especificamente para a defesa das plataformas, nós precisamos de 27 novos navios-patrulha - disse o almirante.

Atualmente, a Marinha trabalha na construção de duas dessas embarcações e já projetou a fabricação de outras cinco.

Segundo Edlander, a Marinha está em negociações com a Petrobras para uma parceria na qual a estatal colaboraria na aquisição dos equipamentos.

Recentemente, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendeu a liberação de recursos que são destinados à Marinha, oriundos dos royalties do petróleo, mas que ficam contingenciados pelo governo federal. Já o comandante da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto, reconheceu a atual fragilidade naval militar do país.

Recado Externo

Em meio à reativação da Quarta Frota da Marinha dos EUA - que tem como uma de suas missões ajudar a combater o narcotráfico na América Latina e no Caribe -, Edlander procurou minimizar o fato e disse que o recado que o Brasil quer enviar com o exercício não tem um destinatário específico.

- O Brasil não possui um provável contestador, um provável inimigo - disse. Mas para ele, é importante fazer uma sinalização porque ela evita o surgimento de "um desafiante".

- Dentro da visão moderna de planejamento você emite um sinal à comunidade internacional, emite um sinal a todos: estou pronto, estou preparado - concluiu.

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