Após meses de busca, a Petrobras decidiu propor à norte-americana Lyondell que abra negociações para compra, associação ou aluguel de uma refinaria em Houston, onde será processado o petróleo pesado de Marlim, na bacia de Campos, a ser vendido nos Estados Unidos.
De acordo com o diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, a estatal venezuelana PDVSA - que já é sócia na refinaria norte-americana - será parceira da empresa brasileira no novo negócio, aumentando sua participação. A Lyondell ainda não sinalizou se aceita negociar.
- Nós estamos em um estágio muito inicial, fizemos a primeira consulta, e agora cabe à Lyondell decidir se quer abrir espaço - informou Cerveró.
Segundo o diretor, a unidade da Lyondell com capacidade de processamento de 268 mil barris diários de petróleo é uma das poucas nos Estados Unidos adaptada para o pesado óleo brasileiro, dispensando investimentos suplementares. Outra vantagem, destacou, é a presença da PDVSA no negócio, empresa com a qual a Petrobras pretende desenvolver diversos projetos.
- Montamos um grupo bilateral de trabalho e em agosto teremos que definir vários projetos, como a nova refinaria no Brasil - antecipou Cerveró.
Além das refinarias, Petrobras e PDVSA desenvolvem estudos para exploração de petróleo e gás na Venezuela, assim como a construção de uma planta de gás liquefeito, que será exportado para o mercado norte-americano.
- Mas, antes da planta, temos que produzir o gás que vamos processar - lembrou o executivo. As duas companhias e outras multinacionais têm um acordo para exploração de gás natural no projeto Gran Mariscal Sucre, um investimento de R$ 2,7 bilhões.
Cerveró afirmou que não tem interesse em comprar ativos da Citgo, empresa da PDVSA nos Estados Unidos, cuja possível venda de pelo menos uma parte foi anunciada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, no início de março. A Citgo opera sete refinarias com capacidade para mais de 800 mil barris diários.
- Nosso acordo com a Venezuela é para projetos em parceria, não para troca de ativos - garantiu.
Cerveró disse que se o negócio com a Lyondell não der certo, outras alternativas serão estudadas.
- No momento não temos nada definido, mas existem alternativas e vamos prosseguir com os planos de refinar nosso petróleo fora do país, perto do mercado consumidor - declarou.
Ele lembrou que agregar valor ao petróleo produzido no Brasil faz parte do Plano Estratégico da companhia, e que oportunidades serão avaliadas "desde que não tenhamos que fazer investimentos adicionais, porque reduziria nossa rentabilidade".
A Petrobras possui 11 refinarias no Brasil e opera perto do limite da sua capacidade, processando cerca de 1,8 milhão de barris diariamente. A empresa vem investindo pesado na modernização e otimização das suas unidades e planeja contruir uma nova refinaria, em parceria com a PDVSA, para entrar em operação em 2010, com capacidade de refino entre 150 mil e 200 mil barris diários.
Até 2010, a Petrobras vai investir US$ 9 bilhões no setor de refino.