A boa performance do governo no item economizar em janeiro atesta mais uma vez o bem sucedido esforço que o pais faz para manter superávits e pagar o serviço da divida interna. No mês passado o superavit primário, cresceu 10% em relação ao mesmo mês de 2010.
O superavit acumulado nos últimos 12 meses por União, Estados e municípios passou de R$ 101,7 bi (2,79% do PIB) em dezembro para R$ 103,4 bi (2,81% do PIB) no 1º mês deste ano. Tudo indica possível, portanto, o governo atingir sua meta de economizar R$ 117,9 bi até dezembro próximo.
É um esforço extraordinário, principalmente se levarmos em consideração os investimentos e os gastos sociais que estamos fazendo nestes últimos 4 anos, e que eles serão mantidos neste, a despeito de o governo ter acabado de anunciar o ajuste orçamentário de R$ 50 bi, cujo detalhamento, área por área, deverá estar definido até a próxima semana.
De juros, três veze mais os investimentos do governo
Veremos, também, inevitavelmente, que o serviço da dívida interna é a principal despesa do governo. E ela pode e deve ser diminuída - e muito - bastando reduzir a taxa de juros Selic que a remunera em grande parte. Três pontos a mais na Selic já significam R$ 45 bi a mais nos juros desta dívida - ou seja, praticamente tudo que o país vai economizar com o corte do orçamento de 2011.
E vejam, o trio de sempre - mercado/rentistas/especuladores - está em aberta campanha (e pressão), um dia num jornal, outro dia no outro, tem dias que em todos, para que a Selic seja reajustada em 0,75% de uma vez, na reunião desta 4ª feira do Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central (BC).
Como vemos não são despesas com pessoal, ou de custeio, ou os gastos sociais, o grande problema que temos que enfrentar, mas sim o pagamento dos juros da divida interna - quase R$ 150 bi todos os anos, o equivalente a três vezes todo o investimento do governo federal num ano.
Rio de Janeiro, 09 de Agosto de 2026
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