Rio de Janeiro, 18 de Outubro de 2026

Brasil avalia convite para ingressar na Opep

O Brasil avalia um convite formalizado por autoridades iranianas para integrar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) após a recente descoberta das megareservas da commodity na camada pré-sal, disse o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, nesta quinta-feira. (Leia Mais)

Quinta, 04 de Setembro de 2008 às 08:57, por: CdB

O Brasil avalia um convite formalizado por autoridades iranianas para integrar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) após a recente descoberta das megareservas da commodity na camada pré-sal, disse o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, nesta quinta-feira. Lobão explicou que o Brasil ainda não respondeu ao convite feito pelo embaixador iraniano há duas semanas, mas afirmou que não vê obstáculos para o país se tornar membro, apesar de ainda não ser um grande exportador de petróleo.

– Ele veio fazer um convite formal. Ainda estamos avaliando – disse Lobão a repórteres.

A Petrobras anunciou no ano passado a segunda maior descoberta de petróleo em 20 anos, uma faixa de 800 quilômetros em águas ultraprofundas que se estende do Espírito Santo a Santa Catarina. Segundo analistas, pode contar 80 bilhões de barris de petróleo. Se confirmadas, as novas reservas deixarão o Brasil entre os 10 maiores produtores de petróleo do mundo.

Mais refinarias

Na véspera, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou que o governo pretende construir mais cinco refinarias para processar o petróleo da camada pré-sal.

– Tem um grupo interministerial para cuidar desta questão. O petróleo não é da Petrobras, não é da Shell. É de 190 milhões de brasileiros – afirmou Lula durante o 7º Festival Lixo e Cidadania, em Belo Horizonte.

Ele aproveitou o evento para ressaltar conquistas de seu governo, principalmente o início da exploração de petróleo no campo de Jubarte, no Espírito Santo. Em clima de descontração, o presidente cativou o público e afirmou que os recursos da exploração do petróleo da camada pré-sal serão usados prioritariamente na área social.

– Eu impus três compromissos. O primeiro é que o Brasil não vai exportar óleo cru. Só subprodutos do petróleo, com valor agregado. Outro é que os recursos do pré-sal sejam usados para pagar a dívida com a educação. E que outra parte do dinheiro, depois de tirar os custos e o lucro das empresas e os impostos, é pagar a dívida secular com os pobres deste país – disse Lula.

O presidente criticou os céticos em relação à exploração da camada pré-sal.

– Por que tanta má-vontade com o país? – indagou o presidente para, em seguida, responder: "Mas há um ditado que diz que, para baixo, todo santo ajuda. E a perfuração é para baixo. Não acreditava que a gente pudesse furar um buraco de 4,3 mil metros e tirar petróleo de lá. Mas, como presidente, sou obrigado a acreditar e fui lá ver. Estou orgulhoso de saber que temos engenharia com capacidade para isso".

Ele referia-se à visita que fez acompanhado dos ministros de Minas e Energia, Edison Lobão, e da Casa Civil, Dilma Roussef, a uma plataforma de exploração no Espírito Santo.

Dilma também acompanhou Lula no evento realizado no Centro Mineiro de Referência em Resíduos na noite desta quarta-feira. Além dela, faziam parte da comitiva o vice-presidente José Alencar, os ministros do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, das Cidades, Márcio Fortes, e da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci, o prefeito da capital, o petista Fernando Pimentel, e o presidente da Itaipu Binacional, Jorge Samek.

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