O Brasil poderá enviar até 2.100 megawatts de energia para a Argentina neste inverno, ante volume de 1.500 megawatts médios registrados no ano passado, segundo acordo fechado entre os dois países ontem em Brasília.
O Brasil mantém desde 2005 um acordo com o vizinho pelo qual o governo brasileiro manda energia para a Argentina durante o inverno, período de maior consumo no local, e recebe parte da energia de volta mais para o fim do ano.
No ano passado, o limite para o envio era de 1.650 MW, que foi ampliado neste ano devido à boa situação de geração no Brasil, já que os reservatórios das hidrelétricas possuem bom nível e a oferta de gás para as térmicas também se elevou.
Além disso, houve queda no consumo de energia e de gás natural no Brasil, devido à crise econômica. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, parte da energia a ser enviada será de fonte hídrica e parte produzida por termelétricas.
A proporção será definida no dia 13 de abril, em reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, do governo brasileiro. Na parcela hídrica, o Brasil se compromete a enviar entre maio e agosto, e a Argentina precisa devolver entre setembro e novembro.
Já a parcela de energia térmica poderá ser enviada de abril a dezembro, sem devolução. Esse volume será vendido à Argentina, por valores próximos aos de mercado.
Além do acordo assinado pelo ministro argentino Julio De Vido, doPlanejamento, Investimento Público e Serviços e pelo brasileiro Edison Lobão, ministro de Minas e Energia, os dois lados também assinaram declaração reafirmando o interesse de aproveitamento conjunto do potencial hidrelétrico do rio Uruguai.
As estatais Eletrobrás e Ebisa assinaram termo para avaliar a viabilidade de projetos na região. A construção de pelo menos um complexo hidrelétrico já está praticamente definida, projeto batizado de Garabi. Segundo o Ministério, outros poderão surgir.