Ministro da Justiça, Tarso Genro assinou, nesta quarta-feira, a portaria que concede anistia política ao ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes. Há 45 anos, quando um golpe militar instalou a ditadura no país, o então governador foi preso pelos militares e conduzido para fora do Palácio do Campo das Princesas, sede do governo do Estado. Tarso assinou a portaria neste mesmo local.
O ato foi realizado na abertura da 20ª Caravana da Anistia, com a presença do governador do Estado, Eduardo Campos (PSB), neto de Arraes, do prefeito de Recife, João da Costa (PT), do presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Mozart Valadares Pires, e do presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão.
Arquivos abertos
Presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto voltou a defender, na véspera, a abertura dos arquivos da ditadura militar como forma de "resgatar a memória do país lamentavelmente vivida no período sombrio do regime militar".
– Um país que não conhece sua história, sobretudo suas páginas mais sombrias e controversas, corre o risco de repeti-la – disse.
Britto acrescenta que a Lei de Anistia perdoou "reciprocamente os delitos políticos de ambas as partes".
– Mas anistia não é amnésia. É necessário saber que crimes foram esses e os que estão efetivamente por ela abrangidos – acrescentou.
O presidente da OAB apontou, ainda, que fatos como o paradeiro de cadáveres e o destino de pessoas desaparecidas, continuam cobertos "pelo manto do silêncio e da cumplicidade".