Rio de Janeiro, 04 de Outubro de 2026

Brasil anistia Miguel Arraes, após 45 anos

Ministro da Justiça, Tarso Genro assinou, nesta quarta-feira, a portaria que concede anistia política ao ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes. Há 45 anos, quando um golpe militar instalou a ditadura no país, o então governador foi preso pelos militares e conduzido para fora do Palácio do Campo das Princesas, sede do governo do Estado. Tarso irá assinar a portaria neste mesmo local. 'Anistia não é amnésia', diz o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil

Quarta, 01 de Abril de 2009 às 09:49, por: CdB

Ministro da Justiça, Tarso Genro assinou, nesta quarta-feira, a portaria que concede anistia política ao ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes. Há 45 anos, quando um golpe militar instalou a ditadura no país, o então governador foi preso pelos militares e conduzido para fora do Palácio do Campo das Princesas, sede do governo do Estado. Tarso assinou a portaria neste mesmo local.

O ato foi realizado na abertura da 20ª Caravana da Anistia, com a presença do governador do Estado, Eduardo Campos (PSB), neto de Arraes, do prefeito de Recife, João da Costa (PT), do presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Mozart Valadares Pires, e do presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão.

Arquivos abertos

Presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto voltou a defender, na véspera, a abertura dos arquivos da ditadura militar como forma de "resgatar a memória do país lamentavelmente vivida no período sombrio do regime militar".

– Um país que não conhece sua história, sobretudo suas páginas mais sombrias e controversas, corre o risco de repeti-la – disse.

Britto acrescenta que a Lei de Anistia perdoou "reciprocamente os delitos políticos de ambas as partes".

– Mas anistia não é amnésia. É necessário saber que crimes foram esses e os que estão efetivamente por ela abrangidos – acrescentou.

O presidente da OAB apontou, ainda, que fatos como o paradeiro de cadáveres e o destino de pessoas desaparecidas, continuam cobertos "pelo manto do silêncio e da cumplicidade".

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