Rio de Janeiro, 30 de Outubro de 2026

Brasil acompanha voluntários de programa contra aids abandonado pela Merk

O Brasil estava participando do estudo HVTN-MERK que foi interrompido recentemente. Apesar da interrupção, os voluntários são acompanhados e vêm recebendo informações e apoio da equipe brasileira envolvida no estudo. (Leia Mais)

Quinta, 29 de Novembro de 2007 às 08:44, por: CdB

Luis Brigido, cientista do Instituto Adolfo Lutz, não esta em Abuja, na Nigéria, mas colabora e acompanha a evolução do Programa africano de vacinas. Para tanto, participou ativamente no Primeiro Seminário da Mídia Lusófona, em Lisboa, em novembro passado, destinado a formar comunicadores destinados a divulgar e informar corretamente seus paises sobre a situação atual da Aids (Sida), evolução das pesquisas sobre vacinas, prevenção e descartar as informações falsas e superstições ligadas à doença, principalmente na África.

Diretamente do Instituto Adolfo Lutz, ele aceitou responder algumas perguntas do Correio do Brasil sobre a evolução das pesquisas se vacinas no Brasil e fazer paralelos com as pesquisas e situação africanas. A comunidade científica espera o balanço do programas africano de vacinas contra Aids, na Nigéria, mas já se sabe que a vacina candidata tailandesa é a mais avançada enquanto na África do Sul voltou-se ao ponto zero, e no Brasil, como vão os testes? Em que fase?

O Brasil estava participando do estudo HVTN-MERK que foi interrompido recentemente.  Apesar da interrupção, os voluntários são acompanhados e vêm recebendo informações e apoio da equipe brasileira envolvida no estudo. Esse estudo era uma fase 2b, envolvendo pessoas em risco acrescido. Outros dois estudos estão em andamento, todos na fase 1 já com a vacinação terminada e os voluntários sendo acompanhados. Um estudo com produto vacinal em parte baseado no carreador viral (Adenovírus) utilizado no estudo interrompido está sendo reprogramado e possivelmente será suspenso. As pesquisas com produtos vacinais no Brasil estão sendo realizadas dentro do contexto do HVTN, rede de pesquisa do NIH, porém estudos de imunologia e virologia voltados a vacinas têm sido conduzidos por diferentes grupos no país, inclusive com parceiros internacionais, como o ANRS, e estudos de demanda, em parceira com IAVI. O Ministério de saúde tem investido também em estudos voltados para vacinas terapêuticas.
 
– Como vê o avanço da Aids nos países lusófonos africanos? Acha que o esforço do programa africano para criar quadros de cientistas africanos poderá levar a uma solução africana ou o continente continua dependente da ajuda externa?

– A situação da Sida na África é grave e deve ser encarada como uma calamidade global, merecendo atenção de diferentes organismos internacionais.  A situação entre países lusófonos é heterogênea, com algumas nações, como Cabo Verde, com baixas taxas de infecção pelo VIH na população e outros, como Moçambique, com número bem mais preocupante.  O reforço da capacidade instalada, em especial o investimento em recursos humanos é parte da solução e a única forma de garantir uma resposta sustentada.  

– O programa africano de vacina contra Aids decidiu abrir um espaço em língua portuguesa para chegar às populações dos países lusófonos, com o apoio da OMS.  Como vê essa troca de informações? Ela também existe entre os cientistas lusófonos?

– A integração entre nações lusófonas ainda é tímida e um esforço nessa direção pode favorecer a troca de experiências, disseminação do conhecimento e fortalecer o combate à Sida. 

– A presença brasileira em Moçambique pode ajudar nos testes africanos de vacinas. Qual o papel do Brasil, do Instituto Adolfo Lutz e outros brasileiros na colaboração com os africanos?

– O Brasil tem como prioridade de sua política externa apoiar iniciativas de colaboração com Países africanos. Diferente instituto tem colaborado nesse esforço, inclusive o Instituto Adolfo Lutz, que tem recebido pesquisadores para treinamento. O Instituto participou da pesquisa recentemente interrompida pelo HVTN com a vacina de Adenovirus e pode contribuir na parte laboratorial para a capacitação de pessoal técnico de Países africanos.  
 
– O vírus VIH africano é muito diferente do exis

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