Rio de Janeiro, 21 de Abril de 2026

Brant é absolvido mesmo depois de confessar uso do caixa dois

Quarta, 08 de Março de 2006 às 19:29, por: CdB

A Câmara dos Deputados absolveu, nesta quarta-feira, o deputado Roberto Brant (PFL-MG) no processo que pedia sua cassação por quebra de decoro parlamentar. Votaram pela absolvição 283 deputados e, pela cassação, 156. Oito se abstiveram e um votou em branco. Roberto Brant foi acusado de ter sacado R$ 102,8 mil das contas da agência SMP&B, de Marcos Valério, apontado como operador do chamado valérioduto.

Na defesa, Brant afirmou que os recursos foram uma doação da companhia siderúrgica Usiminas para sua campanha à prefeitura de Belo Horizonte, em 2004. Eram necessários no mínimo 257 votos favoráveis à cassação para que Brant perdesse o mandato. O Conselho de Ética havia aprovado o parecer do relator, deputado Nelson Trad (PMDB-MS), favorável à cassação do mandato de Brant por 8 votos a 7. Na ocasião, houve empate e o presidente do Conselho, Ricardo Izar (PTB-SP), deu o chamado voto de Minerva, favorável à cassação.

O parlamentar pefelista fez sua própria defesa hoje no Plenário da Câmara. Ao término, Brant foi aplaudido por inúmeros deputados de diferentes partidos. Ele contestou os procedimentos de análise e votação do parecer do deputado Nelson Trad (PMDB-MS) pelo Conselho de Ética e criticou a rapidez da votação. Brant disse que, dias depois de o diretor-executivo da Usiminas, Rinaldo Campos Soares, ter oferecido R$ 150 mil à sua campanha, o então presidente da SMP&B, Cristiano Paz, telefonou-lhe liberando a doação, com desconto da comissão da agência e dos impostos.

- Estão propondo a minha cassação porque meu partido não registrou a doação para a campanha de um dinheiro sobre o qual foram pagos impostos - afirmou.

Roberto Brant foi o primeiro deputado de oposição a ser julgado pela Câmara, após a denúncia do deputado cassado Roberto Jefferson de que haveria um esquema de compra de votos no Congresso - batizado de valérioduto. É o quarto mandato de Brant como deputado. Ele já foi parlamentar constituinte, pelo PMDB, e depois elegeu-se pelo PTB e PSDB. Além de deputado, Brant foi ministro da Previdência no segundo mandato do governo Fernando Henrique. Após conhecer o resultado da votação, Brant ainda assim disse que pretende deixar a vida pública.

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