O Bradesco e o Banco do Brasil vão registrar ganho de R$ 3,415 bilhões no segundo trimestre com venda de parte de suas participações na administradora de cartões de crédito VisaNet, que estreou na bolsa de valores de São Paulo na véspera. O Bradesco informou lucro bruto de cerca de R$ 2 bilhões com venda de cerca de 10,5% de sua participação na VisaNet. O banco manteve parcela de 28,76% na maior administradora de cartões do país.
Já o Banco do Brasil divulgou que terá receita antes de impostos de R$ 1,415 bilhão com venda de parcela de 7,05% na VisaNet. O banco tinha participação de 31% na empresa. Ainda fazem parte do conjunto de controladores da instituição o Santander e a Visa International. Além do ganho com a venda de parte da VisaNet, o Bradesco informou que o resultado do segundo trimestre será impactado por provisão adicional para devedores duvidosos de R$ 1,3 bilhão, antes de impostos. Segundo o banco, a medida foi tomada para "suportar eventuais cenários cíclicos, com aumento dos índices de inadimplência e/ou alterações no perfil de risco da carteira de crédito".
O Banco do Brasil, por sua vez, informou ainda que terá impacto no balanço do atual trimestre de provisão adicional de R$ 676 milhões antes de impostos. A oferta inicial de ações da VisaNet foi a maior operação do gênero do mundo este ano, levantando R$ 8,4 bilhões. As ações da empresa encerraram na véspera em alta de 11,8%, movimentando 45% do volume do pregão na Bovespa, de R$ 6,39 bilhões.
Consulta pública
Em Brasília, terminou nesta terça-feira a consulta pública sobre a regulamentação do mercado de cartões de crédito e débito. No dia 31 de março deste ano, o Banco Central do Brasil, a Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça e a Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda divulgaram um diagnóstico da indústria de cartões no Brasil, como parte do projeto Modernização do Sistema de Pagamentos de Varejo. Após a divulgação, as instuições deram o prazo de 90 dias para envio de críticas e sugestões.
O diagnóstico do setor mostra que o volume de transações com cartões de crédito e débito passou de 1,4 bilhão, em 2002, para 3,9 bilhões, em 2007. As duas maiores bandeiras, Visa e Martescard, respondiam, em 2007, por mais de 90% das transações com cartões de crédito e de débito. A taxa média de desconto, que é paga pelos lojistas às empresas credenciadoras (que habilitam estabelecimentos comerciais para aceitarem cartões como forma de pagamento), era de 2,9%, chegando a 5,0% para o cartão de crédito. No caso dos cartões de débito, a taxa média foi de 1,6%.
Em audiência pública realizada há uma semana no Senado, o chefe do Departamento de Operações Bancárias e do Sistema de Pagamentos do Banco Central, José Antônio Marciano, disse que as empresas do segmento de cartões de crédito e débito não estão oferecendo o nível de eficiência que a sociedade brasileira exige. Segundo Marciano, o relatório “é o ponto de partida” para que sejam adotadas medidas, mas não está definido prazo para o governo divulgar a estratégia de atuação. As críticas e sugestões podem ser enviadas para o estudo do BC, que está disponível na internet.