O diretor de Relações Institucionais da BRA, Danilo Amaral, rebateu nesta terça-feira a OceanAir e garantiu que todos os seus passageiros devem ser transportados pela empresa.
— O contrato que temos com a OceanAir é de carregar todos os nossos passageiros — informou Amaral. — Isso significa que os passageiros das linhas regulares estão incluídos —.
Nesta segunda-feira, o presidente da OceanAir, German Efromovich, disse que sua companhia só garantiria o transporte dos passageiros dos vôos fretados - basicamente os que compraram pacotes turísticos da PNX Travel. Já os das linhas regulares ficariam sujeitos à disponibilidade de assentos.
— Todas os passageiros que a BRA vendeu até quando a gente parou a OceanAir se comprometeu a carregar — disse Amaral.
Na entrevista à Folha Online, feita a pedido da própria BRA, o diretor se recusou a comentar qualquer posição financeira da empresa neste momento - inclusive em relação aos pagamentos às companhias aéreas que fizeram o endosso das passagens vendidas pela empresa.
— Vamos tratar depois com elas [as companhias aéreas] sobre isso depois. Temos que resolver o problema emergencial. Nosso foco agora é o consumidor — disse.
A dívida da empresa é estimada em US$ 100 milhões, segundo analistas de mercado. Por outro lado, os ativos não passam dos R$ 10 milhões.
Sobre a questão das aeronaves - que poderiam ser tomadas pelas empresas de leasing - Amaral não quis adiantar como está a negociação com esses credores. — A gente está negociando com os lessers [empresas que fazem operações de leasing] quantos aviões ficarão com a gente. Mas tudo o que eu falar agora é especulação — disse.
A reportagem procurou a OceanAir para comentar as declarações de Amaral, mas não obteve resposta.
Crise
A crise na BRA veio à tona justamente quando o acordo de compartilhamento de assentos com a OceanAir, que começou a valer em 18 de junho, foi cancelado três meses depois.
Após vários problemas, A BRA pediu à Anac, na terça-feira da semana passada, o cancelamento de todos os seus vôos e informou que 1.100 funcionários da companhia aérea entraram em aviso prévio de 30 dias.
Desde então, os passageiros são realocados na TAM, Gol, Varig, WebJet e OceanAir, que se comprometeram a endossar as passagens. Segundo a BRA, cerca de 70 mil passagens foram vendidas.