Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Bovespa tem maior alta mensal desde eleição de Lula

Segunda, 28 de Fevereiro de 2005 às 16:25, por: CdB

Apesar da queda de 1 por cento nesta segunda-feira, a Bolsa de Valores de São Paulo fechou fevereiro com a maior alta mensal desde a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro de 2002.

O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, encerrou em 28.193 pontos nesta segunda-feira, alta de 15,5% no acumulado do mês e a maior valorização desde os 17,92 % de outubro de 2002. No ano, a alta é de 7,4 %.

O movimento foi sustentado por um forte fluxo de compra de investidores estrangeiros, em busca de retornos maiores que os pagos pelas maiores economias do globo.

Nos primeiros 23 dias de fevereiro, a bolsa exibe superávit de investimentos estrangeiros de quase 2,78 bilhões de reais, rumando para o melhor mês desde 1994, quando a Bovespa começou a computar esses dados.

A indicação de que o Federal Reserve deve manter um ritmo moderado ao elevar a taxa de juros dos Estados Unidos e de que o Banco Central está perto de interromper o processo de aperto monetário, além de balanços positivos de empresa, contribuíram para o bom desempenho da bolsa paulista.

Para o analista da Geração Futuro Mauro Giorgi, "a chave" do bom desempenho da bolsa em março está no fluxo.

- Tirando o exagero da queda de janeiro e da alta de fevereiro, acho que a chave será o fluxo (estrangeiro). Se ele for normal, 700, 800 milhões (de reais) positivos no mês, nós vamos ter um mercado de novo em alta -  avaliou.

- Até porque nós temos três fatos. Primeiro, os balanços anuais são muito bons. Dois: nós teremos ainda uma reunião do Copom com taxa de juros provavelmente subindo menos que nos últimos meses e, terceiro, a gente pode ter já prenúncio de um bom primeiro trimestre - previu o analista, que espera uma "valorização normal" de cerca de 3 ou 4 % do Ibovespa no próximo mês.

Giorgi, assim como outros analistas, tem se mostrado um pouco mais preocupado com o segundo semestre, quando as perspectivas para o cenário internacional se tornam mais incertas.

Para a Modal Asset Management, "sustos" na inflação dos Estados Unidos podem detonar mudanças do cenário internacional. "Neste caso, cresceria a aversão a risco e, portanto, minguariam os fluxos financeiros para economias emergentes", afirmou a corretora em relatório divulgado recentemente.

Nesta segunda-feira, o Ibovespa foi pressionado pela queda de Wall Street e pela alta do rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano, que atingiram o maior nível do ano.

Apesar disso, a bolsa conseguiu manter o nível dos 28 mil pontos. Análises gráficas apontam o nível entre 29 mil e 29.200 pontos como a próxima faixa de resistência.

As ações da Petrobras foram as mais negociadas da sessão e registraram perda de 1,61 % fechando a 111,23 reais. Os investidores resolveram embolsar parte dos recentes ganhos acumulados pela ação depois que a Petrobras divulgou, na noite de sexta-feira, lucro abaixo das expectativas do mercado. O papel acumulava até sexta-feira alta de quase 20 % no mês.

Outro destaque de baixa foram os papéis da Vale do Rio Doce, que cederam 2,67 %, para 74,60 reais. Só na semana passada, as ações da Vale subiram 12,7 %, após reajustes acima do esperado nos preços do minério de ferro.

As preferenciais da Telemar, uma das mais líquidas do pregão, caíram 2,19 %.

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